{"id":2332,"date":"2018-05-14T09:40:04","date_gmt":"2018-05-14T09:40:04","guid":{"rendered":"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/?p=2332"},"modified":"2022-05-30T14:29:10","modified_gmt":"2022-05-30T14:29:10","slug":"o-que-e-psicologia-somatica-integrada-uma-conversa-com-raja-selvam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/pt-br\/o-que-e-psicologia-somatica-integrada-uma-conversa-com-raja-selvam\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 Psicologia Som\u00e1tica Integrada? Uma conversa com Raja Selvam"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/raja-selvam-phd\/\">Raja Selvam, PhD<\/a>, \u00e9 treinador s\u00eanior dos programas de treinamento profissional em Experi\u00eancia Som\u00e1tica (SE\u2122) de Peter Levine, e o criador da Psicoterapia Som\u00e1tica Integrada (ISP\u2122), uma abordagem avan\u00e7ada para integrar corpo, energia e consci\u00eancia em qualquer processo psicol\u00f3gico, elaborado para profissionais experientes. A abordagem ecl\u00e9tica de Raja traz elementos de sistemas de trabalho corporal de Integra\u00e7\u00e3o Postural, Terapia Craniossacral Biodin\u00e2mica, Terapia da Polaridade, sistemas de psicoterapia corporal reichianos, Bioenerg\u00e9tica e Bodynamic Analysis, psicologias junguianas e arquet\u00edpicas, escola de psican\u00e1lise de rela\u00e7\u00f5es objetais e intersubjetividade, Experi\u00eancia Som\u00e1tica (SE), neuroci\u00eancia afetiva, e Advaita Vedanta, uma tradi\u00e7\u00e3o espiritual da \u00cdndia. O artigo de Raja sobre o tratamento de sintomas traum\u00e1ticos entre os sobreviventes indianos do tsunami foi publicado em <em>Traumatology<\/em> (setembro, 2008). <em>Jung and consciousness<\/em> [Jung e consci\u00eancia] foi publicado no peri\u00f3dico de psicologia anal\u00edtica Spring (outono, 2013). Raja leciona nos Estados Unidos, Inglaterra, Fran\u00e7a, Alemanha, \u00c1ustria, Sui\u00e7a, Holanda, B\u00e9lgica, Dinamarca, R\u00fassia, It\u00e1lia, Israel, \u00cdndia, Sri Lanka, Hong Kong, China e Brasil.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie <em>Perspectivas Som\u00e1ticas em Psicoterapia<\/em> (<a href=\"https:\/\/somaticperspectives.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SomaticPerspectives.com<\/a>) trata de psicoterapia com um enfoque na experi\u00eancia corporificada. Nossa \u00eanfase prim\u00e1ria \u00e9 em abordagens cl\u00ednicas, com uma vis\u00e3o da pr\u00e1tica sob a perspectiva de cada profissional. Um objetivo subjacente \u00e9 explorar a converg\u00eancia entre a pr\u00e1tica cl\u00ednica e os modelos emergentes da mente humana dos campos da neuroci\u00eancia, psicologia evolutiva e cogni\u00e7\u00e3o corporificada. O editor da s\u00e9rie, Serge Prengel, LMHC, tem em consult\u00f3rio particular na cidade de Nova Iorque. Ele tamb\u00e9m coordena workshops sobre Mudan\u00e7a Proativa e mindfulness relacional corporificado.<\/p>\n<p><em>O texto a seguir \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o editada. Ela difere substancialmente da entrevista original. Foi editada por Raja Selvam para torn\u00e1-la mais clara e informativa.<\/em><\/p>\n<p><em>Serge Prengel: Essa \u00e9 uma conversa com Raja Selvam. Ol\u00e1, Raja.<\/em><\/p>\n<p>Raja Selvam: Ol\u00e1, Serge.<\/p>\n<p><em>Serge: Ent\u00e3o, Raja, voc\u00ea desenvolveu uma abordagem chamada ISP. Voc\u00ea gostaria de nos contar um pouco sobre isso?<\/em><\/p>\n<p>Raja: Gostaria sim, Serge. ISP\u2122 significa <a href=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/what-is-integral-somatic-psychology\/\">Psicoterapia Som\u00e1tica Integrada<\/a>, e vou falar brevemente do que se trata. Ensino, h\u00e1 muito tempo, diferentes abordagens baseadas no corpo para o trabalho psicol\u00f3gico, isto \u00e9, como tornar o trabalho psicol\u00f3gico mais efetivo ao trazer o corpo e sua consci\u00eancia, mais do que se costuma fazer na psicologia convencional. Por meio de meus estudos e minha experi\u00eancia de trabalhar com pessoas e ensinar um grande n\u00famero de profissionais em muitos pa\u00edses, cheguei a um lugar onde me dei conta de algumas coisas. Um, h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre a fisiologia das emo\u00e7\u00f5es e sobre o processo de autorregula\u00e7\u00e3o, que ainda n\u00e3o chegou \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica; informa\u00e7\u00e3o que pode ser usada para simplificar a integra\u00e7\u00e3o do corpo a qualquer pr\u00e1tica psicol\u00f3gica. Dois, n\u00e3o \u00e9 suficiente abordar apenas o corpo f\u00edsico, o \u00fanico corpo que a ci\u00eancia reconhece como fonte de toda experi\u00eancia, o qual a gente deixa para tr\u00e1s em um caix\u00e3o, ou crema depois que morremos. \u00c9 tamb\u00e9m importante abordarmos o corpo sutil, o qual n\u00e3o pode ser mensurado pela ci\u00eancia, ou pode ser mensurado apenas com grande esfor\u00e7o e custo, como na pesquisa da f\u00edsica qu\u00e2ntica ou de part\u00edculas. Esse corpo \u00e9 chamado de corpo sutil no oriente, em oposi\u00e7\u00e3o ao corpo grosseiro ou corpo f\u00edsico, o corpo que vai para o caix\u00e3o. Este \u00faltimo eu vou chamar de corpo grosseiro ou corpo f\u00edsico nessa entrevista. O corpo grosseiro tem um n\u00edvel qu\u00e2ntico assim como todos os objetos do mundo. O corpo sutil, no entanto, existe apenas no n\u00edvel qu\u00e2ntico. Ele \u00e9 tamb\u00e9m frequentemente chamado de corpo energ\u00e9tico no ocidente, mas essa terminologia pode levar a um engano, pois todos os corpos, grosseiros ou sutis, s\u00e3o feitos da mesma energia, que difere apenas em termos de frequ\u00eancia. O corpo grosseiro e o corpo sutil interagem no n\u00edvel qu\u00e2ntico. Tamb\u00e9m sou treinado em psicologia oriental, e encontro paralelos na f\u00edsica qu\u00e2ntica moderna com o que j\u00e1 \u00e9 discutido na psicologia oriental h\u00e1 muito tempo. A osteopatia craniana ocidental tamb\u00e9m trabalha com o corpo sutil. Eles o chamam de corpo flu\u00eddo, e o usam para trazer mais regula\u00e7\u00e3o para o corpo f\u00edsico. Uma diferen\u00e7a \u00e9 que, enquanto a psicologia oriental defende que o corpo sutil pode viver al\u00e9m do corpo grosseiro e reencarnar, a osteopatia craniana n\u00e3o se pronuncia a este respeito. Eu acho que \u00e9 mais efetivo trabalhar com os dois corpos simultaneamente como fonte de todas as nossas experi\u00eancias: percep\u00e7\u00e3o, pensamento, sentimento, lembran\u00e7a, a\u00e7\u00e3o, conex\u00e3o, rela\u00e7\u00e3o, etc. Trabalhar com o corpo sutil n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil quanto geralmente se presume.<\/p>\n<p>Mas, uma vez que tenhamos inclu\u00eddo o corpo sutil, podemos muito bem incluir os corpos coletivos grosseiro e sutil que somos, ou dos quais somos parte, dependendo do ponto de vista. E incluir a dimens\u00e3o da pura consci\u00eancia, do corpo absoluto ou fundamento de todos os corpos dos quais somos feitos, de acordo com a psicologia oriental. Na psicologia ocidental, h\u00e1 v\u00e1rias abordagens que incluem o corpo grosseiro no trabalho psicol\u00f3gico, e algumas abordagens que incluem o corpo sutil, como na psicologia da energia, que se baseia na no\u00e7\u00e3o de meridianos. H\u00e1 algumas escolas psicol\u00f3gicas transpessoais que incluem os corpos coletivos grosseiro e sutil como influ\u00eancias significativas em nossa psique. E h\u00e1 abordagens que incluem a consci\u00eancia no trabalho psicol\u00f3gico. Quase todas as abordagens de mindfulness trabalham com a consci\u00eancia de uma forma ou de outra. Ent\u00e3o pensei que seria mais efetivo incluir o maior n\u00famero de corpos poss\u00edvel, e encontrar formas simples para ensinar profissionais de diferentes orienta\u00e7\u00f5es, como incorporar os diferentes corpos, ou essas tr\u00eas dimens\u00f5es, em sua pr\u00e1tica, sem ter que mudar as diferentes orienta\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas nas quais eles s\u00e3o treinados para trabalhar com seus clientes. Mas o foco prim\u00e1rio da abordagem da Psicologia Som\u00e1tica Integrada (ISP) \u00e9 como encontrar formas simples para integrar o corpo grosseiro individual em qualquer trabalho psicol\u00f3gico, usando pesquisas dispon\u00edveis sobre a fisiologia das emo\u00e7\u00f5es e autorregula\u00e7\u00e3o, e sobre a integra\u00e7\u00e3o do corpo sutil individual e suas camadas em qualquer contexto cl\u00ednico. Por exemplo,<\/p>\n<p><em>Serge: Ent\u00e3o deixe-me te interromper por um momento, porque h\u00e1 muito conte\u00fado a\u00ed.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Claro.<\/p>\n<p><em>Serge: Ent\u00e3o estamos falando sobre integrar ou prestar aten\u00e7\u00e3o ao corpo como um porta para lidar com fen\u00f4menos psicol\u00f3gicos. Mas, especificamente, quando voc\u00ea estava falando do corpo, e fez uma distin\u00e7\u00e3o entre o corpo sutil e o corpo de experi\u00eancia do dia-a-dia. Ent\u00e3o talvez possamos ficar com isso um pouco mais, sobre esse corpo sutil de n\u00edvel qu\u00e2ntico.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim. Na psicologia oriental, n\u00e3o \u00e9 apenas o corpo f\u00edsico que determina a experi\u00eancia, como se presume na ci\u00eancia e na psicologia ocidental em geral. H\u00e1 tamb\u00e9m o corpo sutil que tem muita rela\u00e7\u00e3o com a experi\u00eancia. A cren\u00e7a de que o corpo sutil vai de uma vida para outra, \u00e9 um ponto de debate. Ningu\u00e9m pode realmente provar ser verdade ou n\u00e3o, medindo isso ou aquilo. H\u00e1 os que citam pesquisas muito confi\u00e1veis sobre a reencarna\u00e7\u00e3o para defender esse ponto de vista. Mas, do ponto de vista pr\u00e1tico cl\u00ednico, a pergunta que precisamos fazer \u00e9: ele pode ser trazido \u00e0 consci\u00eancia ou pode-se trabalhar com ele para ajudar as pessoas a resolverem melhor seus problemas comuns? E \u00e9 isso que as psicologias da energia tentaram fazer. Outras perguntas que surgem s\u00e3o: O que \u00e9 o corpo sutil? \u00c9 um corpo de mat\u00e9ria? \u00c9 claro que \u00e9 um corpo de mat\u00e9ria, pois tudo \u00e9 mat\u00e9ria. \u00c9, no entanto, uma mat\u00e9ria sutil, no n\u00edvel dos fen\u00f4menos qu\u00e2nticos, o sujeito da f\u00edsica qu\u00e2ntica ou de part\u00edculas. Quando as pessoas no oriente falam sobre chakras, meridianos, elementos e corpos grosseiros e sutis, est\u00e3o realmente falando de sua compreens\u00e3o intuitiva de sua consci\u00eancia sobre o corpo no termos das realidades newtoniana n\u00e3o-qu\u00e2ntica e qu\u00e2ntica moderna. Eles distinguem um corpo grosseiro, que \u00e9 constitu\u00eddo de elementos grosseiros, resultantes da combina\u00e7\u00e3o de elementos sutis, e um corpo sutil que \u00e9 constitu\u00eddo apenas por elementos sutis ou qu\u00e2nticos. Mas para nossa finalidade, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante saber se h\u00e1 corpos diferentes, ou se s\u00e3o apenas n\u00edveis diferentes do mesmo corpo, contanto que possamos usar esses modelos para observar e corporificar novos fen\u00f4menos, e trabalhar com eles de forma a tornar nosso trabalho e o mundo melhores.<\/p>\n<p><em>Serge: Ent\u00e3o n\u00e3o estamos falando de debater sobre a exist\u00eancia te\u00f3rica desse corpo sutil de n\u00edvel qu\u00e2ntico. Estamos falando sobre ter a experi\u00eancia, e a consci\u00eancia dele, para us\u00e1-lo?<\/em><\/p>\n<p>Raja: Exatamente. Isso \u00e9 feito mais facilmente do que se acredita, desde que saibamos como educar o cliente sobre essas coisas.<\/p>\n<p><em>Serge: \u00c9?<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim. Por exemplo, quando as pessoas n\u00e3o s\u00e3o capazes de estarem conscientes da parte inferior da perna, abaixo do joelho.<\/p>\n<p><em>Serge: Sim?<\/em><\/p>\n<p>Raja: Quando n\u00e3o conseguem fazer isso, n\u00e3o conseguem se aprofundar em qualquer sentimento. Por outro lado, verificamos que quando as pessoas se aprofundam em qualquer sentimento, a parte inferior da perna est\u00e1 mais aberta e dispon\u00edvel \u00e0 consci\u00eancia. E o sentimento fica mais est\u00e1vel tamb\u00e9m. H\u00e1 uma mudan\u00e7a no corpo f\u00edsico mesmo, em termos do t\u00f4nus da musculatura, mas h\u00e1 tamb\u00e9m maior fluxo ou fluidez, uma energia que se assemelha \u00e0 \u00e1gua ou ao ar nas pernas. E isso faz muito sentido do ponto de vista oriental. Se estamos trabalhando com sentimento, e as pessoas est\u00e3o tendo muita dificuldade com seus sentimentos, faz muito sentido abrir as pernas. O fluxo do chakra card\u00edaco governa os sentimentos em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo e aos outros, e a energia dele tamb\u00e9m precisa circular atrav\u00e9s da parte inferior das pernas para que se tornem mais profundos, toler\u00e1veis e fa\u00e7am mais sentido.<\/p>\n<p>E quando ajudamos os clientes a fazerem isso, verificamos que as pessoas conseguem adentrar mais seus sentimentos, s\u00e3o mais capazes de toler\u00e1-los, e obt\u00eam insights mais relevantes em rela\u00e7\u00e3o ao que sentem. \u00c9 interessante observar que no sistema de psicoterapia corporal dinamarqu\u00eas da Bodynamic Analysis, um sistema baseado em extenso estudo emp\u00edrico das fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas dos diferentes m\u00fasculos no corpo, os m\u00fasculos da parte inferior das pernas tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com o fato de a pessoa conseguir se conectar com seus sentimentos ou permanecer em uma rela\u00e7\u00e3o mais abstrata com eles.<\/p>\n<p><em>Serge: Como \u00e9 que algu\u00e9m pode assegurar que a energia vai para as pernas?<\/em><\/p>\n<p>Raja: Para fazer isso, podemos trabalhar com o corpo f\u00edsico, com a musculatura l\u00e1, os ligamentos l\u00e1, os ossos l\u00e1, com movimentos simples que qualquer profissional pode ajudar seus clientes a fazerem. A consci\u00eancia do fluxo de energia nas pernas, cuja qualidade pode ser de \u00e1gua ou ar, pode ser \u00fatil. A consci\u00eancia de algo geralmente ajuda a suport\u00e1-lo mais. N\u00e3o precisa ser a verdade. Se h\u00e1 mesmo algo chamado corpo sutil ou energia realmente n\u00e3o importa. O que importa \u00e9 que quando as pessoas est\u00e3o dispostas a rastrear e apoiar essas coisas, elas parecem melhorar muito mais, e muito mais rapidamente.<\/p>\n<p><em>Serge: Ent\u00e3o, de novo, mais devagar um pouco. O que estou escutando, o que estou entendendo, \u00e9 que um efeito de prestar aten\u00e7\u00e3o a esse corpo sutil vai ser percept\u00edvel, por exemplo, na forma como as emo\u00e7\u00f5es, sentimentos fluem melhor. Mas chegamos a isso prestando aten\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da fisicalidade do corpo. Ent\u00e3o, de alguma forma, um observador externo poderia ver o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo como prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 fisicalidade do corpo e algo acontece. Mas parece haver mais do que simplesmente isso. O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo n\u00e3o \u00e9 apenas prestando aten\u00e7\u00e3o ao corpo f\u00edsico, mas agindo sobre o corpo sutil de alguma forma atrav\u00e9s disso.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Bem, sim, mas a resposta \u00e0 sua pergunta perspicaz \u00e9 um pouco complicada. Na psicologia oriental, o corpo sutil \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a fonte de toda experi\u00eancia e regula\u00e7\u00e3o no corpo grosseiro. Por essa l\u00f3gica, se estamos trabalhando com o corpo grosseiro e promovendo uma mudan\u00e7a nele, temos que estar trabalhando e promovendo uma mudan\u00e7a no corpo sutil ao mesmo tempo. A consci\u00eancia \u00e9 livre para estar mais identificada, ou menos identificada, com cada corpo que constitui nossa exist\u00eancia, pois \u00e9 o ser fundamental de todos os nossos corpos. H\u00e1 pessoas que trabalham com a consci\u00eancia do corpo sutil para promover mudan\u00e7as no corpo grosseiro. Mas como tendemos a ser mais identificados com nosso corpo f\u00edsico, chamado de corpo grosseiro no oriente, faz mais sentido trabalhar, para come\u00e7ar, com nossa consci\u00eancia dele. Mas em algum ponto tamb\u00e9m se torna importante estar consciente dos movimentos de nosso corpo sutil, e trabalhar com eles para angariar os benef\u00edcios que isso pode trazer. Alguns argumentam que a habilidade de rastrear e trabalhar com o corpo sutil pode trazer mudan\u00e7as maiores e mais r\u00e1pidas do que rastrear e trabalhar com o corpo grosseiro. As qualidades do corpo sutil s\u00e3o diferentes daquelas do corpo f\u00edsico. E a n\u00e3o ser que procuremos tamb\u00e9m por essas qualidades, acabamos permanecendo e rastreando apenas as sensa\u00e7\u00f5es do corpo f\u00edsico por meio do c\u00e9rebro. No entanto, precisamos observar que enquanto h\u00e1 vida no corpo grosseiro, \u00e9 quase imposs\u00edvel para a maioria das pessoas separar claramente a consci\u00eancia de seu corpo sutil da consci\u00eancia de seu corpo f\u00edsico, exceto nas raras experi\u00eancias de quase morte ou de estar fora do corpo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-932\" src=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/ISP-Blog-Raja-Selvam-Somatic-Perspectives-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/ISP-Blog-Raja-Selvam-Somatic-Perspectives-2.jpg 750w, https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/ISP-Blog-Raja-Selvam-Somatic-Perspectives-2-300x120.jpg 300w\" alt=\"ISP Blog raja Selvam Somatic Perspectives Client\" width=\"750\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p><em>Serge: Interessante.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Realmente. Para ir adiante, os sentimentos, por exemplo, s\u00e3o frequentemente a coisa mais importante com a qual trabalhamos em psicoterapia. O conhecimento convencional na psicologia \u00e9 que quase todas as patologias derivam da inabilidade em sentir e tolerar certos estados de natureza afetiva. Estados afetivos s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es complexas no que chamamos corpo f\u00edsico, e o oriente chama de corpo grosseiro; e estados complexos de energia no n\u00edvel do corpo sutil. E a intera\u00e7\u00e3o dos dois \u00e9 o que provoca um sentimento ou afeto. \u00c9 uma experi\u00eancia interativa complexa de v\u00e1rios n\u00edveis, envolvendo pelo menos dois corpos. Quando as pessoas tentam regular estados afetivos por meio de estrat\u00e9gias de conscientiza\u00e7\u00e3o que rastreiam sensa\u00e7\u00f5es apenas no n\u00edvel do corpo f\u00edsico, frequentemente deixam de ver a floresta e s\u00f3 veem as \u00e1rvores. Isso \u00e9 um dos pontos fracos das abordagens que rastreiam sensa\u00e7\u00f5es, mesmo que cada uma tenha seu valor para objetivos espec\u00edficos. Temos que aumentar nossa habilidade de rastrear, cada vez mais, sistemas ou corpos e suas intera\u00e7\u00f5es simultaneamente, e cada vez mais experi\u00eancias mais complexas sem dividi-las em micro sensa\u00e7\u00f5es ou energias para rastre\u00e1-las e regular nossas experi\u00eancias psicol\u00f3gicas de forma mais significativa.<\/p>\n<p><em>Serge: Certo, certo. Ent\u00e3o quando voc\u00ea est\u00e1 focando rastrear uma sensa\u00e7\u00e3o, o que pode acontecer \u00e9 que voc\u00ea acaba n\u00e3o percebendo a floresta por prestar aten\u00e7\u00e3o s\u00f3 nas \u00e1rvores. Ent\u00e3o, como \u00e9, na pr\u00e1tica, em uma sess\u00e3o, como \u00e9 que voc\u00ea consegue rastrear o fluxo da experi\u00eancia que \u00e9 mais complexo?<\/em><\/p>\n<p>Raja: A habilidade de rastrear sensa\u00e7\u00f5es individuais \u00e9 um passo importante. \u00c9 como aprender o alfabeto da linguagem de seu corpo. Por exemplo, calor ou frio, e constri\u00e7\u00e3o ou expans\u00e3o em certas \u00e1reas do corpo. Apenas sentir sensa\u00e7\u00f5es t\u00e3o simples pode estabelecer um melhor circuito de feedback entre o c\u00e9rebro e o corpo por meio de vias aferentes e eferentes dos sistemas nervosos aut\u00f4nomos e som\u00e1ticos, o que, por sua vez, aumenta a habilidade do c\u00e9rebro para regular melhor o corpo. Isso tamb\u00e9m pode ajudar a regular experi\u00eancias emocionais. Por exemplo, sentir tristeza ou medo e, ao mesmo tempo, perceber onde esses sentimentos se localizam no corpo, e as sensa\u00e7\u00f5es que os acompanham, pode ajudar a regular essas experi\u00eancias emocionais e o corpo simultaneamente.<\/p>\n<p>Conseguir sentir diferentes partes do corpo em detalhe como sensa\u00e7\u00f5es, nos d\u00e1 maior possibilidade de gerar, sentir, e regular o fen\u00f4meno mais complexo das emo\u00e7\u00f5es como amor e desapontamento. Mas pessoas habituadas a sentir sensa\u00e7\u00f5es corporais em todos os tipos de situa\u00e7\u00f5es podem se ver como ref\u00e9ns de um c\u00e9rebro que indiscriminadamente rastreia micro sensa\u00e7\u00f5es ou movimentos devido ao h\u00e1bito. Por isso eu nem pergunto \u00e0s pessoas o que elas est\u00e3o sentindo, pela simples raz\u00e3o que, se elas estiverem acostumadas a sentir o corpo o tempo todo, elas voltam a sentir calor ou frio, e constri\u00e7\u00e3o ou expans\u00e3o, formigamento, etc. Eu vou primeiro \u00e0 experi\u00eancia psicol\u00f3gica, a floresta, por assim dizer. Estou procurando uma experi\u00eancia psicol\u00f3gica significativa. Estou explorando que sentimentos poderiam ser esperados, se a pessoa j\u00e1 n\u00e3o estiver mostrando isso no rosto ou relatar estar consciente disso. Ent\u00e3o pe\u00e7o para que ela sinta esse sentimento no corpo, onde est\u00e1, como est\u00e1, sem perguntar por sensa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Para ser claro, diferentes abordagens de rastreamento da sensa\u00e7\u00e3o e movimento, como Vipasana, Focusing, Continuum ou Movimento Aut\u00eantico s\u00e3o sistemas maravilhosos que oferecem in\u00fameros benef\u00edcios. \u00c9 por isso que continuam a ser populares e relevantes. Mas temos que ter discernimento para us\u00e1-los para a regula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e at\u00e9 mesmo fisiol\u00f3gica, baseado no entendimento de suas vantagens e desvantagens, seus pontos fortes e seus pontos fracos.<\/p>\n<p><em>Serge: Entendi.<\/em><\/p>\n<p>Raja: E quanto mais intenso for o sentimento &#8211; sabemos do trabalho da cientista molecular Candace Pert, que quase ganhou o pr\u00eamio Nobel por sua descoberta dos receptores de opi\u00f3ides no c\u00e9rebro &#8211; uma experi\u00eancia emocional se propaga como cascata ou impacta todas as c\u00e9lulas do corpo em quest\u00e3o de segundos. Quanto mais intensa a experi\u00eancia, mais ela afeta o organismo como um todo. Na terapia, as pessoas frequentemente relatam sentimentos no cora\u00e7\u00e3o e acima do diafragma, e expressam isso nas \u00e1reas da cabe\u00e7a, pesco\u00e7o e rosto. Muito frequentemente, a experi\u00eancia, assim com a express\u00e3o de uma emo\u00e7\u00e3o, ficam presos acima do diafragma. E uma forma de trabalhar com esse estado de sentimento, para ger\u00e1-lo, senti-lo mais completamente, e at\u00e9 toler\u00e1-lo, \u00e9 abrir todo o corpo \u00e0 experi\u00eancia o m\u00e1ximo poss\u00edvel, por meio da consci\u00eancia, movimento, respira\u00e7\u00e3o, ou autotoque em diferentes dire\u00e7\u00f5es. E, quando fazemos isso, temos uma experi\u00eancia mais plena do sentimento, maior habilidade para toler\u00e1-lo, e at\u00e9 um senso mais coerente de seu significado. Frequentemente, se o cliente n\u00e3o expandir abaixo do diafragma, \u00e9 muito dif\u00edcil acessar as ra\u00edzes inconscientes de seus sentimentos. O segundo chakra na psicologia oriental est\u00e1 associado com o elemento \u00e1gua, e \u00e9 o portal de acesso ao inconsciente, bem como \u00e0 criatividade.<\/p>\n<p>Muito frequentemente, quando as pessoas est\u00e3o apenas sentindo a \u00e1rea do cora\u00e7\u00e3o acima do diafragma em associa\u00e7\u00e3o com emo\u00e7\u00f5es, elas t\u00eam muita dificuldade com elas, porque sua energia est\u00e1 confinada a \u00e1reas estreitas de seus corpos grosseiro e sutil, sem a energia do chakra card\u00edaco circulando atrav\u00e9s de \u00e1reas abaixo do diafragma. Al\u00e9m disso, a falta de conex\u00e3o com a energia do segundo chakra na \u00e1rea p\u00e9lvica, e sua circula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de \u00e1reas mais baixas do corpo, impede que os sentimentos se tornem mais plenos, e suas origens inconscientes se tornem mais claras, e tamb\u00e9m tornam solu\u00e7\u00f5es criativas para resolu\u00e7\u00e3o menos aparentes. As pessoas acabam com um processo que fica alternando entre o c\u00e9rebro e a parte superior do corpo acima do diafragma, um processo prolongado de muitas associa\u00e7\u00f5es, que realmente n\u00e3o se aprofundam em sentimentos relevantes e nos padr\u00f5es e raz\u00f5es subjacentes.<\/p>\n<p><em>Serge: Tudo isso \u00e9 muito interessante, mas vou novamente diminuir a velocidade um pouco para revisitar o que voc\u00ea disse mais cedo para clarear algo. O que ouvi foi que voc\u00ea n\u00e3o come\u00e7a com sensa\u00e7\u00f5es, mas com algo que \u00e9 mais abrangente como um sentimento?<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim, a experi\u00eancia.<\/p>\n<p><em>Serge: A experi\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>Raja: A experi\u00eancia psicol\u00f3gica, o onde ela est\u00e1 no corpo, ou como o corpo \u00e9 afetado por ela. Experi\u00eancias como um sentimento ou impulso para fazer algo ou n\u00e3o fazer algo.<\/p>\n<p><em>Serge: E depois?<\/em><\/p>\n<p>Raja: E onde ela n\u00e3o est\u00e1 e porque n\u00e3o est\u00e1 em um local do corpo.<\/p>\n<p><em>Serge: Ao contr\u00e1rio de come\u00e7ar com a sensa\u00e7\u00e3o, por que isso poderia levar a n\u00e3o perceber a floresta e s\u00f3 as \u00e1rvores?<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim, isso poderia levar a essa situa\u00e7\u00e3o, principalmente em pessoas que s\u00e3o muito boas em rastrear sensa\u00e7\u00f5es, e se perder nelas, sem obter experi\u00eancias mais abrangentes e psicologicamente mais significativas a partir disso. \u00c9 poss\u00edvel que quando as pessoas come\u00e7am com sentir o corpo atrav\u00e9s de sensa\u00e7\u00f5es discretas, isso pode estabelecer um circuito de feedback entre o c\u00e9rebro e o corpo para permitir a expans\u00e3o, nos corpos f\u00edsico e sutil, de experi\u00eancias que estavam contidas, para que elas apare\u00e7am ou sejam geradas. Mas n\u00e3o h\u00e1 qualquer garantia que isso acontecer\u00e1. Isso depende se a pessoa, sozinha ou com ajuda de outros, consegue gerar experi\u00eancias significativas e interpret\u00e1-las como tal. E a capacidade de uma pessoa fazer isso sozinha depende muito de se ela teve o suporte de outros para gerar experi\u00eancias e dar sentido a elas no passado. Se n\u00e3o conseguem fazer isso, e se s\u00e3o boas em rastrear sensa\u00e7\u00f5es corporais e corpo e movimento de energia, tal processo pode apenas regular seus corpos, trazendo-os de volta a um lugar mais calmo ou a um equil\u00edbrio habitual sem qualquer transforma\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica ou benef\u00edcio significativos.<\/p>\n<p><em>Serge: Mhm, mhm.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Vou lhe dar um exemplo. J\u00e1 tive clientes, que h\u00e1 anos rastreiam sensa\u00e7\u00f5es, e chegam at\u00e9 mim com sintomas de ansiedade. Se a ansiedade \u00e9 baseada no medo, ou medo de algo n\u00e3o fundado na realidade presente, a pessoa precisa senti-la o m\u00e1ximo poss\u00edvel, e toler\u00e1-la, e segur\u00e1-la at\u00e9 que ela diminua, sem se prender a outra coisa como causa externa \u00e0 sua vida atual. O medo vai ser acess\u00edvel e gerenci\u00e1vel na medida que a pessoa se sente apoiada por voc\u00ea para senti-lo, e na medida que os corpos grosseiro e sutil possam ser expandidos para acomod\u00e1-lo. Mas t\u00e3o logo essas pessoas percebiam onde o medo estava no corpo, a partir de minha orienta\u00e7\u00e3o, elas rapidamente, como de h\u00e1bito, desviavam a aten\u00e7\u00e3o para o rastreamento de sensa\u00e7\u00f5es como formigamento, calor, etc., afastando-se da situa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e dos sentimentos que s\u00e3o, na realidade, matrizes complexas de sensa\u00e7\u00f5es em m\u00faltiplos sistemas do corpo.<\/p>\n<p>Dessa forma, elas n\u00e3o rastreavam nem desenvolviam a capacidade para experi\u00eancias mais complexas no corpo. Elas tinham aprendido apenas a dissipar experi\u00eancias significativas por meio do rastreamento de micro sensa\u00e7\u00f5es e movimentos. Assim, com o tempo, aprendi a n\u00e3o pedir as pessoas para rastrear sensa\u00e7\u00f5es nos treinamentos que dou, a n\u00e3o ser para abrir ou acessar o corpo para rastrear experi\u00eancias mais significativas nele. Para os treinamentos de ISP que dou, exijo que os candidatos sejam profissionais com experi\u00eancia cl\u00ednica, que j\u00e1 trabalhem psicologicamente h\u00e1 muito tempo. Tamb\u00e9m exijo que tenham conhecimento adequado sobre o corpo, por meio da Experi\u00eancia Som\u00e1tica, Psicoterapia Sens\u00f3riomotora, Bioenerg\u00e9tica ou algum treinamento ou pr\u00e1tica em trabalho corporal ou em sentir o corpo, de modo que j\u00e1 conhe\u00e7am bem seus corpos, para que n\u00e3o seja estranho para eles sentir as sensa\u00e7\u00f5es corporais pelo menos em algumas partes do corpo.<\/p>\n<p><em>Serge: Mhm, mhm.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Para um exemplo concreto, vamos pegar a experi\u00eancia do luto. Eu digo: Onde est\u00e1 o luto em seu corpo? Onde ele n\u00e3o est\u00e1? Por que voc\u00ea n\u00e3o coloca sua m\u00e3o no local onde voc\u00ea diz que \u00e9 muito dif\u00edcil tolerar o luto, ou onde ele n\u00e3o est\u00e1 presente, para que voc\u00ea possa abrir ou conectar essa parte do corpo \u00e0 sua experi\u00eancia? Se n\u00e3o estiver presente abaixo do diafragma, vamos ver como podemos abrir o diafragma para permitir que a parte mais baixa do corpo participe da experi\u00eancia. Por que voc\u00ea n\u00e3o movimenta seu pesco\u00e7o para que o luto possa chegar tamb\u00e9m em seu rosto? E ent\u00e3o movimente seus bra\u00e7os, ou traga seus bra\u00e7os para sua consci\u00eancia, para que participem da experi\u00eancia tamb\u00e9m. Por que voc\u00ea n\u00e3o coloca uma m\u00e3o sobre seu cora\u00e7\u00e3o, e outra sobre seu rim, ou movimenta a parte inferior de sua perna, para que a energia do chakra card\u00edaco possa fluir mais facilmente atrav\u00e9s de seu corpo, para fazer sua experi\u00eancia de luto mais plena, mas tamb\u00e9m mais toler\u00e1vel. Dessa forma, consigo que as pessoas rastreiem sues corpo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia de forma significativa, e n\u00e3o apenas rastreiem sensa\u00e7\u00f5es isoladamente e sem objetivo. Ao mesmo tempo estou orientando a expans\u00e3o do corpo f\u00edsico em dire\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am sentido em termos de aumentar a autorregula\u00e7\u00e3o no corpo f\u00edsico, e de aumentar a disponibilidade de energia do corpo sutil.<\/p>\n<p><em>Serge: Ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 falando sobre a experi\u00eancia como um todo, e da\u00ed, alimentando a curiosidade sobre onde ela est\u00e1, onde n\u00e3o est\u00e1, e \u00e9 assim que o rastreamento ocorre dentro do contexto.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim. E ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio saber como ajudar os clientes a rastrearem e trabalharem com seus corpos de tal forma que seus corpos grosseiros e sutis estejam t\u00e3o abertos, e em rela\u00e7\u00e3o um com o outro, quanto poss\u00edvel, para apoiar a experi\u00eancia que se desdobra que se origina em um local espec\u00edfico. O corpo grosseiro f\u00edsico consiste de camadas que podem se fechar durante uma experi\u00eancia avassaladora. M\u00fasculos, \u00f3rg\u00e3os e tecidos do sistema nervoso central podem todos se contrair durante uma experi\u00eancia dif\u00edcil. \u00c9 necess\u00e1rio saber como orientar os clientes a abrirem diferentes camadas do corpo f\u00edsico, e como facilitar as trocas entre essas diferentes camadas, para minimizar a desregula\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, apoiar uma experi\u00eancia que gera desregula\u00e7\u00e3o, como o medo. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio saber como ajudar os clientes a se tornarem conscientes e trabalharem com diferentes camadas do corpo sutil umas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras. E como assegurar que as energias do corpo sutil estejam interagindo com o corpo grosseiro o m\u00e1ximo poss\u00edvel?<\/p>\n<p>De acordo com a Terapia da Polaridade, diferentes zonas do corpo f\u00edsico, quando contra\u00eddas, podem impedir que o fluxo de energia de diferentes elementos do corpo sutil de diferentes chakras se movimente atrav\u00e9s do corpo f\u00edsico em dire\u00e7\u00e3o a maior manifesta\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias de vida necess\u00e1rias. Por exemplo, a energia do chakra card\u00edaco n\u00e3o fluir\u00e1 atrav\u00e9s do corpo se as \u00e1reas do intestino grosso, rim, e parte inferior da perna estiverem bloqueadas de alguma forma. Ent\u00e3o, quando trabalhamos com luto que \u00e9 avassalador na regi\u00e3o do peito, fazemos v\u00e1rias coisas com as camadas do corpo f\u00edsico mesmo. Trabalhamos com a regi\u00e3o do peito com conscientiza\u00e7\u00e3o, autotoque, e possivelmente com a respira\u00e7\u00e3o para manter a \u00e1rea aberta \u00e0 experi\u00eancia, e para minimizar a desregula\u00e7\u00e3o ali presente. Trabalhamos com as \u00e1reas dos bra\u00e7os, rosto e pesco\u00e7o tamb\u00e9m, com conscientiza\u00e7\u00e3o, movimento ou autotoque para expandir a experi\u00eancia para essas \u00e1reas, assim como para minimizar a desregula\u00e7\u00e3o ou excesso de carga na regi\u00e3o do peito. Isso \u00e9 poss\u00edvel porque quando as \u00e1reas adjacentes ao peito, cabe\u00e7a, e bra\u00e7os est\u00e3o mais abertas e melhor conectadas, por meio do aumento do fluxo cardiovascular e do sistema nervoso, n\u00e3o apenas no corpo f\u00edsico est\u00e1 menos desregulado, mas est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o melhor para gerar, compartilhar e tolerar experi\u00eancias dolorosas como o luto. Tamb\u00e9m trabalhamos com consci\u00eancia, movimento, ou autotoque com o intestino grosso, rins e parte inferior das pernas, que podem bloquear a energia do corpo sutil do chakra card\u00edaco de fluir atrav\u00e9s do corpo grosseiro f\u00edsico. Quando fazemos isso, observamos que as pessoas s\u00e3o mais capazes de se aprofundarem em seus sentimentos, como o de luto. Elas tamb\u00e9m permanecem melhor reguladas fisica e emocionalmente.<\/p>\n<p>A psicologia orienta, na qual se baseia a Terapia da Polaridade, teoriza que o corpo sutil \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a origem da experi\u00eancia e regula\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e psicol\u00f3gica. Assim, esses benef\u00edcios s\u00e3o previs\u00edveis desse ponto de vista. A psicologia ocidental, por outro lado, teoriza que o c\u00e9rebro \u00e9 a origem de toda experi\u00eancia e regula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e fisiol\u00f3gica, e, portanto, n\u00e3o percebe uma fonte importante de experi\u00eancia e regula\u00e7\u00e3o ascendente na psique dos seres humanos. O que estou fazendo na abordagem da Psicoterapia Som\u00e1tica Integrada ou ISP \u00e9 trazer os benef\u00edcios das duas perspectivas para maximizar a efetividade do tratamento.<\/p>\n<p>Quando abrimos o corpo e prestamos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia psicol\u00f3gica nele, a experi\u00eancia pode ser intensa. Mas podemos abri-lo de tal forma que esteja melhor regulado, ou menos desregulado durante experi\u00eancias desagrad\u00e1veis, de forma que as camadas do corpo f\u00edsico, inclusive o c\u00e9rebro, estejam mais abertas, reguladas, e em comunica\u00e7\u00e3o umas com as outras. Podemos abrir as camadas do corpo sutil de tal forma que elas estejam fluindo, em melhor equil\u00edbrio umas com as outras, e em maior intera\u00e7\u00e3o com o corpo f\u00edsico. Ent\u00e3o h\u00e1 teoria e l\u00f3gica nas dire\u00e7\u00f5es em que expandimos o corpo f\u00edsico durante o trabalho psicol\u00f3gico. Se fizermos isso sabiamente, usando informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre autorregula\u00e7\u00e3o e bases fisiol\u00f3gicas da experi\u00eancia ao trabalharmos com o corpo f\u00edsico ou grosseiro, e a psicologia oriental para trabalhar com o corpo sutil, as experi\u00eancias dif\u00edceis podem ser, paradoxalmente, menos dif\u00edceis de serem processadas. Isso reduz a resist\u00eancia consciente e inconsciente que todos temos em rela\u00e7\u00e3o a experi\u00eancias desagrad\u00e1veis. Podemos passar por experi\u00eancias dif\u00edceis, e resolv\u00ea-las como e quando acontecerem, sem ficarmos presos no passado, se defendendo contra o reaparecimento delas, e sofrendo com sintomas psicossom\u00e1ticos ou psicofisiol\u00f3gios como fadiga cr\u00f4nica, ou fibromialgia, entre outras coisas.<\/p>\n<p>Os treinamentos de ISP enfatizam a experi\u00eancia pessoal, porque pessoas j\u00e1 familiarizadas com o corpo tem que desaprender as formas familiares e habituais de rastrear e trabalhar com seus corpos para aprender a diferen\u00e7a. Em um treinamento recente, tr\u00eas alunos com sintomas de fibromialgia de longa dura\u00e7\u00e3o relataram remiss\u00e3o not\u00e1vel de seus sintomas quando trabalharam com a regula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de uma experi\u00eancia dif\u00edcil, enquanto prestavam aten\u00e7\u00e3o na disponibilidade e regula\u00e7\u00e3o dos corpos grosseiro e sutil ao mesmo tempo. \u00c9 claro que temos que verificar se continuaram livres dos sintomas a longo prazo para afirmar que \u00e9 um resultado v\u00e1lido. Mas o que aconteceu durante aquela aula foi um sinal de esperan\u00e7a. Mas ou\u00e7o tanto sobre remiss\u00e3o not\u00e1vel de sintomas de longa dura\u00e7\u00e3o como enxaquecas e asma, mesmo ap\u00f3s uma \u00fanica sess\u00e3o, que isso n\u00e3o mais me surpreende. A regula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, a regula\u00e7\u00e3o do corpo grosseiro, e a regula\u00e7\u00e3o do corpo sutil s\u00e3o os tr\u00eas pilares da Psicoterapia Som\u00e1tica Integrada (ISP). Quando feitas simultaneamente, em rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua, tais resultados s\u00e3o realmente poss\u00edveis, na minha experi\u00eancia.<\/p>\n<p><em>Serge: Ent\u00e3o, Raja, o que voc\u00ea est\u00e1 falando \u00e9 sobre como a energia pode ficar presa, e como isso, por sua vez, pode inibir processos psicol\u00f3gicos e fisiol\u00f3gicos. Voc\u00ea est\u00e1 falando sobre como trabalhar com a energia para faz\u00ea-la fluir novamente, e como esse fluxo permite que a regula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e fisiol\u00f3gica aconte\u00e7am. E que para fazer isso bem, voc\u00ea tem que ter um mapa de onde est\u00e3o os v\u00e1rios circuitos, e as dire\u00e7\u00f5es e lugares para onde a energia precisa fluir, e o que fazer para facilitar esses fluxos.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim, exatamente. E, ao mesmo tempo, o que fazer no corpo f\u00edsico para maximizar a regula\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e psicol\u00f3gica, com a orienta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos campos da neurofisiologia da autorregula\u00e7\u00e3o, e da fisiologia das emo\u00e7\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es e outras experi\u00eancias psicol\u00f3gicas. E a metodologia tem que ser simples o bastante. Do contr\u00e1rio, psicoterapeutas de diferentes orienta\u00e7\u00f5es n\u00e3o compreender\u00e3o com facilidade. E tem que ser apresentada de tal forma que n\u00e3o seja dif\u00edcil para eles a integrarem em diferentes abordagens e orienta\u00e7\u00f5es que usam para fazer terapia.<\/p>\n<p><em>Serge: Mhm, Mhm.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Ent\u00e3o aquele profissional experiente, com diferentes orienta\u00e7\u00f5es, pode usar essa abordagem em sua pr\u00e1tica para faz\u00ea-la mais corporificada. Para repetir, n\u00e3o estamos falando apenas do uso do corpo sutil para melhorar o trabalho. Tamb\u00e9m estamos falando sobre trabalhar com o corpo sutil em conex\u00e3o com o corpo f\u00edsico, e trabalhar com o corpo f\u00edsico em si. Quanto mais pudermos facilitar os fluxos aferentes e eferentes no sistema nervoso aut\u00f4nomo, de modo que a informa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea inervada por ele &#8211; \u00f3rg\u00e3os, gl\u00e2ndulas e vasos sangu\u00edneos &#8211; chegue ao c\u00e9rebro, e a informa\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro chegue a essas \u00e1reas, para que o c\u00e9rebro possa n\u00e3o apenas regul\u00e1-las mas tamb\u00e9m us\u00e1-las para gerar e regular melhor experi\u00eancias psicol\u00f3gicas. E quanto mais pudermos facilitar fluxos aferentes e eferentes ao longo das vias do sistema nervoso som\u00e1tico, melhor \u00e9 a capacidade do c\u00e9rebro para regular os m\u00fasculos, e us\u00e1-los para gerar e regular experi\u00eancias psicol\u00f3gicas. N\u00f3s<\/p>\n<p>Simplificamos como fazer isso no corpo f\u00edsico mesmo, nas tr\u00eas camadas do corpo f\u00edsico, e usamos com grande efetividade para ajudar sobreviventes indianos do tsunami de 2004. Publicamos os resultados em Traumatology em 2008, um peri\u00f3dico sobre trauma.<\/p>\n<p><em>Serge: Sim.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Agora temos um projeto de v\u00e1rios anos no Sri Lanka. Estamos envolvidos no treinamento de 160 profissionais no que foi uma zona de guerra no norte da Sri Lanka, para tratar sintomas de transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico advindo de traumas de guerra, perda, viol\u00eancia, e deslocamento. A guerra civil de 36 anos acabou h\u00e1 poucos anos. Estamos usando mapas simples l\u00e1, n\u00e3o necessariamente para trabalhar com o corpo sutil, mas mais com o corpo f\u00edsico &#8211; como abrir as diferentes camadas da fisiologia, e como facilitar o fluxo dos sistemas cardiovascular e nervoso atrav\u00e9s das diferentes camadas do corpo enquanto trabalhamos com as experi\u00eancias terr\u00edveis que eles passaram. O que estamos observando \u00e9 que ajuda eles a trazem essas experi\u00eancias terr\u00edveis, toler\u00e1-las e trabalhar com elas melhor do que qualquer outra abordagem que tenham aprendido at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p><em>Serge: Sim, ent\u00e3o restaurar a regula\u00e7\u00e3o dos fluxos atrav\u00e9s das camadas do corpo f\u00edsico \u00e9 um portal que voc\u00ea usa.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim. Esse \u00e9 um portal, se quiser. Que se adequa melhor aos psicoterapeutas ocidentais cientificamente treinados. Mas tamb\u00e9m usamos o corpo sutil individual e os corpos coletivos grosseiro e sutil, que tamb\u00e9m constituem um indiv\u00edduo, direta ou indiretamente, para ajudar pessoas. Vou lhe dar um ou dois exemplos para ilustrar essas ideias.<\/p>\n<p><em>Serge: OK<\/em><\/p>\n<p>Raja: Depois do tsunami de 2004, um menino de 10 anos de idade veio at\u00e9 n\u00f3s quando est\u00e1vamos terminando o trabalho em uma vila no sul da \u00cdndia. Ele pegou a m\u00e3o de uma de nossas terapeutas, e colocou a m\u00e3o dela sobre seu peito e disse: &#8220;Tsunami, bate forte, bate forte, bate forte.&#8221; Ele tinha palpita\u00e7\u00f5es card\u00edacas e ansiedade sempre que pensava no tsunami ou quando algu\u00e9m ou alguma coisa o lembrava dele. Ele demonstrava claramente muito medo quando falava disso. Fizemos um tratamento breve com ele, e ensinamos a ele o que ele poderia fazer para ajudar a si mesmo da pr\u00f3xima vez que tivesse esse sintomas. Foi mais ou menos assim. A coisa toda foi bastante simples. Dissemos: &#8220;Sim, um tsunami \u00e9 algo muito assustador, e o corpo pode ficar ativado, como quando voc\u00ea est\u00e1 correndo muito rapidamente. E o corpo pode ficar endurecido para lidar com todo esse medo e carga no corpo. O corpo tenta apertar a experi\u00eancia no menor espa\u00e7o poss\u00edvel, e colocar uma tampa sobre ela. Dessa forma, o medo e toda a carga podem ficar presos no peito, que agora est\u00e1 duro. Todo o medo e carga que estavam em todo o corpo, ficando presos em uma pequena \u00e1rea do peito, podem inundar essa \u00e1rea e produzir dificuldades como ansiedade, dificuldade para respirar, e batimento card\u00edaco irregular. Ent\u00e3o o ensinamos como n\u00e3o se afastar do medo e da carga, mas encontrar uma forma de criar um espa\u00e7o maior para eles para que o corpo n\u00e3o tenha que se contrair e endurecer, e manter todo esse medo e carga no peito, levando seu cora\u00e7\u00e3o a bater suavemente. Especificamente, ensinamos ele a colocar a m\u00e3o sobre o peito, movimentar o bra\u00e7o direito, e depois o bra\u00e7o esquerdo e sentir todas as \u00e1reas se abrirem. Ele conseguiu sentir mais sensa\u00e7\u00f5es de ansiedade nos bra\u00e7os. E o al\u00edvio come\u00e7ou a chegar na regi\u00e3o do peito, o que foi evidenciado por melhor respira\u00e7\u00e3o. Isso lentamente se espalhou para outras \u00e1reas. N\u00e3o muitas \u00e1reas. Chegou um pouco at\u00e9 as pernas. Ele ficou agradavelmente surpreso com a al\u00edvio que sentiu. Dissemos a ele: &#8220;Isso \u00e9 o que voc\u00ea precisa fazer, quando se lembrar do tsunami e seu cora\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a fazer aquilo. Voc\u00ea coloca suas m\u00e3os sobre o cora\u00e7\u00e3o, seu peito, e voc\u00ea movimenta seus bra\u00e7os e talvez as pernas para ver como esse medo pode talvez se espalhar para o maior espa\u00e7o de seu corpo, e n\u00e3o te assustar tanto no cora\u00e7\u00e3o que ele come\u00e7a a bater irregularmente.&#8221;<\/p>\n<p>Entrevistamos ele 4 semanas depois, e novamente 6 meses depois, e ele estava bem. Disse que n\u00e3o tinha tido os sintomas desde que conseguiu lidar com seu medo sem que ele se tornasse demais. Espero que esse exemplo tenha lhe dado uma ideia de como pode ser em um caso simples. E se olharmos para esse exemplo simples em termos dos princ\u00edpios que discutimos anteriormente, podemos ver o trabalho com o corpo f\u00edsico, quando expandimos as \u00e1reas do peito e dos bra\u00e7os, e as tornamos mais funcionais; e aumentamos os fluxos dos sistemas cardiovascular e nervoso nas tr\u00eas camadas da fisiologia, do m\u00fasculo, \u00f3rg\u00e3o e sistema nervoso, por meio da consci\u00eancia, toque e movimento. Isso tamb\u00e9m tornou poss\u00edvel que as experi\u00eancias dif\u00edceis de medo e ansiedade fossem geradas, toleradas em uma \u00e1rea maior da fisiologia, sem estressar a \u00e1rea estreita do cora\u00e7\u00e3o, levando-a \u00e0 desregula\u00e7\u00e3o do batimento card\u00edaco irregular. Vemos tamb\u00e9m o trabalho indireto com o corpo sutil nesse exemplo. Para que a energia do chakra card\u00edaco flua mais completamente, e seja contida, a \u00e1rea da caixa tor\u00e1cica, do ombro at\u00e9 o diafragma, e a \u00e1rea superior do bra\u00e7o, do ombro at\u00e9 o cotovelo, precisam ser abertas e conectadas entre si. Isso pode ser visto como uma possibilidade nas interven\u00e7\u00f5es feitas nessa sess\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Serge: Esse \u00e9 um exemplo muito bonito, e de alguma forma, o que eu gostaria de fazer com voc\u00ea agora, \u00e9 dar um replay, como se tiv\u00e9ssemos um v\u00eddeo. J\u00e1 que n\u00e3o temos um v\u00eddeo, e n\u00e3o podemos ter um coment\u00e1rio no v\u00eddeo, vou sugerir \u00e0s pessoas que, enquanto escutam essa entrevista, repassem o exemplo um peda\u00e7o de cada vez, e ent\u00e3o prestem aten\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00e1rias camadas que voc\u00ea cita. Podem ent\u00e3o tentar aplicar isso a uma experi\u00eancia dif\u00edcil deles pr\u00f3prios. Voc\u00ea sabe que algo com que trabalhar, quando a sensa\u00e7\u00e3o subjacente \u00e9 de que: &#8220;Sim, essa experi\u00eancia \u00e9 realmente avassaladora.&#8221; Eles podem aprender que h\u00e1 uma forma para lidar com ela, e com experi\u00eancias semelhantes, colocando-as em um continente maior para que possam ser digeridas.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim, isso \u00e9 uma \u00f3tima ideia. Mas elas precisam se assegurar de escolher algo pequeno para come\u00e7ar, e n\u00e3o a pior experi\u00eancia de suas vidas para fazer o teste. Tamb\u00e9m precisam lembrar que tem que haver uma disposi\u00e7\u00e3o para sofrer um pouco a curto prazo para n\u00e3o sofrer desnecessariamente com sintomas no longo prazo; e que \u00e9 sempre mais f\u00e1cil processar uma experi\u00eancia dif\u00edcil com o apoio de outras pessoas do que sozinha. De fato, n\u00e3o podemos processar certas experi\u00eancias sem o apoio de outras pessoas. Uma das ferramentas importantes ensinadas no treinamento de ISP \u00e9 o uso da resson\u00e2ncia interpessoal. Todos somos feitos para sentir e nos regularmos mutuamente, corpo a corpo, por meio de frequ\u00eancias do espectro eletromagn\u00e9tico no corpo f\u00edsico e frequ\u00eancias mais elevadas dos corpos sutis. Isso pode ser usado para efetivamente dar apoio aos clientes em uma sess\u00e3o. Uma das trag\u00e9dias da pr\u00e1tica psicol\u00f3gica que n\u00e3o inclui a consci\u00eancia dos corpos f\u00edsico e sutil \u00e9 a subutiliza\u00e7\u00e3o desse instrumento extra-ordin\u00e1rio. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de ser feito. Mas exige uma mudan\u00e7a de mentalidade na psicologia ocidental. Como Robert Stolorow, um brilhante psicanalista intersubjetivo, observou, muito da psicologia ocidental est\u00e1 perdida no paradigma de pensar na psique individual como isolada, com fronteiras r\u00edgidas, que funciona como um rob\u00f4 usando seus sensores para percep\u00e7\u00e3o e sua CPU (unidade central de processamento) para infer\u00eancia e para todas as outras experi\u00eancias. Tal resson\u00e2ncia interpessoal \u00e9, frequentemente, a experi\u00eancia prim\u00e1ria no apego e outras experi\u00eancias relacionais. Assim, para mim, \u00e9 dif\u00edcil imaginar trabalhar com apego e outras experi\u00eancias de rela\u00e7\u00e3o, sem estar consciente da dimens\u00e3o de resson\u00e2ncia interpessoal de tais experi\u00eancias atrav\u00e9s de nossos corpos grosseiro e sutil.<\/p>\n<p><em>Serge: Fascinante! Voltando ao exemplo em que ainda estou pensando, a outra parte dele que achei digno de nota \u00e9 que, em vez de apenas prestar aten\u00e7\u00e3o ao cliente, voc\u00ea pede ao menininho para movimentar o bra\u00e7o dele e observar algo. E voc\u00ea est\u00e1 fazendo isso de forma simples, e sugerindo que isso pode ser realizado. Gostaria de convid\u00e1-lo para talvez reapresentar brevemente esse exemplo, para que possamos ouvi-lo novamente para ver as muitas camadas que est\u00e3o envolvidas.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim, educar o cliente \u00e9 uma parte importante da abordagem. As pessoas n\u00e3o est\u00e3o orientadas ao corpo. Na verdade, a maioria dos terapeutas tamb\u00e9m n\u00e3o. A compreens\u00e3o deles acerca do papel do corpo na experi\u00eancia psicol\u00f3gica e das formas como trabalhar com o corpo no contexto do processamento psicol\u00f3gico \u00e9 limitado. Portanto, \u00e9 importante educar os clientes sobre porque o corpo \u00e9 importante, como trabalhar com ele, e que benef\u00edcios podem ser esperados, da forma mais simples poss\u00edvel, para que o cliente fique motivado, e para que a sess\u00e3o tenha um bom resultado. Posso lhe dar outro exemplo mais complexo em vez de repetir o anterior? Depois o discutirei em termos dos princ\u00edpios subjacentes em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Serge: Claro, claro.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Uma jovem na Holanda veio me ver quando eu estava dando um treinamento l\u00e1. Ela sofria de ataques de p\u00e2nico desde os sete anos de idade. Quando era jovem, ela ouvia uma voz em sua barriga dizer que era hora de ela morrer, antes do in\u00edcio do ataque de p\u00e2nico. Ela ficava com tanto medo que nem contava para seus pais. Ela era filha \u00fanica, e foi s\u00f3 aos 10 anos que contou para seus pais. Quando o fez, os pais buscaram a melhor ajuda poss\u00edvel, m\u00e9dicos, psiquiatras e psic\u00f3logos. Quando ela veio me ver, tinha 21 anos. Usava v\u00e1rios medicamentos. Tinha feito an\u00e1lise com dois psicanalistas. Ainda tinha ataques de p\u00e2nico. Ela dormia muito, tinha desistido da universidade, tinha um emprego com baixo sal\u00e1rio, mora com os pais e n\u00e3o conseguia ficar sozinha sem eles em casa. Estava deprimida e sem esperan\u00e7a de que algo pudesse mudar.<\/p>\n<p>De sua hist\u00f3ria conhecida (seu tio estava me auxiliando no treinamento), imediatamente formulamos a hip\u00f3tese de que essa localiza\u00e7\u00e3o abdominal talvez tivesse rela\u00e7\u00e3o com duas cirurgias p\u00f3s nascimento a que teve que ser submetida por algum problema em seu trato digestivo. Um psicanalista j\u00e1 tinha feito essa interpreta\u00e7\u00e3o antes. Ela me disse imediatamente que n\u00e3o queria voltar a qualquer psicoterapia. Eu disse a ela que poderia ensin\u00e1-la como evitar que o n\u00edvel de seu estresse alcan\u00e7asse um limiar que deflagrasse o ataque de p\u00e2nico. Ela pareceu estar aberta a isso. Disse a ela que, quando temos experi\u00eancias fisiol\u00f3gicas dif\u00edceis ou experi\u00eancias psicol\u00f3gicas dif\u00edceis, como emo\u00e7\u00f5es ou pensamentos desagrad\u00e1veis, nosso corpo fica estressado. O corpo ent\u00e3o se contrai para administrar o estresse. Se a experi\u00eancia fisiol\u00f3gica ou psicol\u00f3gica dif\u00edcil continua, a press\u00e3o aumenta, principalmente se o estresse advindo da experi\u00eancia dif\u00edcil estiver constrito em uma parte estreita do corpo. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 encontrar uma maneira de expandir o corpo, e espalhar a experi\u00eancia fisiol\u00f3gica ou psicol\u00f3gica dif\u00edcil, ou o estresse resultante, para que se torne mais toler\u00e1vel e n\u00e3o deflagre um sintoma como o ataque de p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Eu ent\u00e3o pedi que ela falasse sobre algo que a fazia sentir-se mal na vida dela. Ela mencionou a intera\u00e7\u00e3o com seu chefe no trabalho. Pedi que ela percebesse onde o corpo come\u00e7ava a sentir o estresse e constri\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foi surpresa quando ela apontou para o abd\u00f4men. Cada pessoa tem um ou dois lugares no corpo onde tais coisas geralmente aparecem, independentemente da origem ou causa. Pedi que ela colocasse uma m\u00e3o sobre a regi\u00e3o para aliviar o desconforto e constri\u00e7\u00e3o ali, e pedi que acompanhasse o estresse, observando para onde ele se espalhava. Ele foi para uma parte mais baixa do abd\u00f4men, mas teve dificuldade em descer mais. Pedi que ela movimentasse as pernas e tornozelos, e observasse o que acontecia em seguida. Inicialmente houve sensa\u00e7\u00e3o de formigamento na parte inferior das pernas, e finalmente uma sensa\u00e7\u00e3o de fluxo nas pernas. Ao mesmo tempo houve mais al\u00edvio no abd\u00f4men, e, como consequ\u00eancia, maior facilidade na respira\u00e7\u00e3o no peito. Surpreendentemente n\u00e3o houve medo. Mas n\u00e3o apontamos isso para ela imediatamente. Disse a ela para fazer o exerc\u00edcio durante uma semana, toda vez que se sentisse estressada, e que voltasse para me ver no final do treinamento que eu havia iniciado l\u00e1. Disse a ela que ela precisava fazer o mesmo exerc\u00edcio caso surgissem medo ou ansiedade em sua vida ou quando estivesse fazendo esse exerc\u00edcio.<\/p>\n<p>Quando ela voltou uma semana depois, n\u00e3o apenas parecia esperan\u00e7osa, mas disse que sentiu mais compreendida naquela sess\u00e3o do que em todas as sess\u00f5es de terapia. Mas o que ela disse em seguida realmente nos surpreendeu. Ela disse que tinha constipa\u00e7\u00e3o grave durante toda a vida, com uma evacua\u00e7\u00e3o por semana com grande dificuldade. Ela disse que desde que come\u00e7ou a fazer o exerc\u00edcio que prescrevemos, o sintoma da constipa\u00e7\u00e3o desaparecera completamente. Ela queria que sent\u00edssemos como isso tinha sido um grande al\u00edvio. E ela estava pronta para continuar o trabalho. J\u00e1 vi resolu\u00e7\u00f5es t\u00e3o r\u00e1pidas dos sintomas antes, dada a capacidade do corpo de se regular uma vez que lhe \u00e9 mostrado o caminho, principalmente quando o corpo sutil come\u00e7a a fluir e a interagir mais com ele. Independentemente disso, j\u00e1 tinha aprendido o suficiente para n\u00e3o tomar tais mudan\u00e7as a curto prazo, n\u00e3o importa o qu\u00e3o milagrosas, como indicadores de sucesso. O sintoma tem que ser eliminado a longo prazo para ser considerado um resultado significativo. Ent\u00e3o passamos ao segundo tratamento.<\/p>\n<p>O medo apareceu imediatamente. Transformou-se em terror e era avassalador em seu peito, beirando o p\u00e2nico. Se tiv\u00e9ssemos apenas ficado l\u00e1 validando sua experi\u00eancia, ela teria descompensado e tido um ataque de p\u00e2nico. Mas sab\u00edamos o que fazer. Ela tamb\u00e9m sabia, devido \u00e0 sua experi\u00eancia ao longo da semana, que ele precisava ser expandido em diferentes dire\u00e7\u00f5es. Pedimos a ela que movesse seus bra\u00e7os e ombros para expandir naquela dire\u00e7\u00e3o. Pedimos que movimentasse seu pesco\u00e7o, cabe\u00e7a, e rosto e trouxesse o medo para seu rosto. Pedimos, primeiro, que ela dissesse que estava com medo, e ent\u00e3o que seu corpo e c\u00e9rebro estavam com medo, mas que ela n\u00e3o, para trazer um pouco de mindfulness para a experi\u00eancia. Pedimos que ela colocasse uma m\u00e3o sobre o cora\u00e7\u00e3o para regul\u00e1-lo. Foi uma viagem dif\u00edcil. Trabalho duro. Mas ela conseguiu permanecer l\u00e1 e trabalhar com altos n\u00edveis de ativa\u00e7\u00e3o e terror, que s\u00e3o os suspeitos usuais em um ataque de p\u00e2nico, e passar por isso sem ter, de fato, um ataque de p\u00e2nico. Disse a ela, no final da sess\u00e3o, que ela precisava continuar a fazer o que fizemos, tanto quanto poss\u00edvel, como um exerc\u00edcio, sempre que estivesse estressada, com medo ou p\u00e2nico. E que ela contatasse seu tio para atualiz\u00e1-lo quanto a seu progresso, e contatasse um psicoterapeuta local treinado por n\u00f3s, se n\u00e3o conseguisse lidar com o que estava acontecendo. Ela pareceu n\u00e3o gostar da \u00faltima sugest\u00e3o.<\/p>\n<p>Deixei o pa\u00eds no dia seguinte. Tive not\u00edcias por seu tio seis semanas mais tarde, que ela estava muito bem. N\u00e3o tinha tido nem um ataque de p\u00e2nico desde ent\u00e3o. Conseguia voltar dos ataques de p\u00e2nico, sem ter um de fato, usando o que tinha aprendido conosco. Fiquei aliviado. A pr\u00f3xima vez em que a vi foi durante um treinamento que fiz na Holanda seis meses depois. N\u00e3o houve nada dram\u00e1tico nessa sess\u00e3o. Foi mais do mesmo da primeira e segunda sess\u00f5es, com exce\u00e7\u00e3o de que seu processo foi muito mais expansivo e muito menos vol\u00e1til. Ela pareceu tamb\u00e9m ter mais habilidade para diferenciar suas experi\u00eancias internas e nome\u00e1-las. Interpreto seu medo como possivelmente tendo rela\u00e7\u00e3o com o medo de morrer antes, durante, e depois dos procedimentos m\u00e9dicos realizados imediatamente ap\u00f3s seu nascimento. Tamb\u00e9m sugeri que seu medo de morrer tamb\u00e9m estivesse conectado a um alto n\u00edvel de ansiedade em sua m\u00e3e, que, por sua vez, pode ter herdado isso de seus pais que tinham hist\u00f3ria direta da Segunda Guerra Mundial. O que esqueci de mencionar antes \u00e9 que ela j\u00e1 estava deixando suas m\u00faltiplas medica\u00e7\u00f5es de forma progressiva com seu psiquiatra, que queria saber exatamente que exerc\u00edcio ela tinha aprendido, que levou a uma redu\u00e7\u00e3o t\u00e3o not\u00e1vel de seus sintomas. Ela tinha n\u00e3o apenas trocado de trabalho, mas tamb\u00e9m arrumado um novo namorado. N\u00e3o estava dormindo tanto, e estava correndo com seu pai. E estava ficando com raiva e sendo assertiva com todos da fam\u00edlia, disse seu tio, feliz que ela pudesse fazer isso agora.<\/p>\n<p>A \u00faltima sess\u00e3o que fiz com ela foi por telefone, seis meses mais tarde. Seu av\u00f4 predileto tinha morrido, e ela estava tendo dificuldade de lidar com isso. Quando conversamos, espelhei seu luto profundo, e sugeri que ela podia trabalhar com o luto da mesma forma que ela sabia trabalhar com seu estresse, medo e ansiedade. Ela estava sem medica\u00e7\u00e3o nesse momento. No final da sess\u00e3o, ela disse estar perplexa e incomodada com algo. Ela continuava se sentindo mais e mais energizada, quanto mais fazia o exerc\u00edcio. Quanto mais ela tentava espalhar a energia, e at\u00e9 se livrar dela por meio do movimento, mais ela persistia. Ent\u00e3o me dei conta de que o organismo dela estava sendo animado pela for\u00e7a da vida, n\u00e3o tendo que cont\u00ea-la para evitar desencadear os sintomas desagrad\u00e1veis, e at\u00e9 perigosos, em seu corpo. Disse a ela que ela precisava come\u00e7ar a usar essa for\u00e7a vital construtivamente para expandir sua vida. Ela disse que estava at\u00e9 pensando em voltar \u00e0 universidade para obter seu diploma.<\/p>\n<p>Recomendei que ela fizesse isso, at\u00e9 marotamente sugerindo que ela poderia voltar a ter sintomas se n\u00e3o fizesse isso!<\/p>\n<p>A \u00faltima not\u00edcia que tive, atrav\u00e9s de seu tio, foi que ela obteve o diploma, est\u00e1 morando em seu pr\u00f3prio apartamento na cidade, e estava numa viagem de motocicleta pela \u00c1sia com seu namorado. Devo dize que me senti como um pai orgulhoso, feliz em ter tido um pequeno papel em sua jornada. Os verdadeiros fatores foram a determina\u00e7\u00e3o dela em mudar sua vida, e enfrentar e aguentar o que precisou sentir para que pudesse se curar, a habilidade de seu corpo f\u00edsico para se regular com o m\u00ednimo de ajuda, e a habilidade de seu corpo sutil de n\u00e3o apenas contribuir para sua regula\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e psicol\u00f3gica com um m\u00ednimo de ajuda, mas tamb\u00e9m se beneficiar da conex\u00e3o com os corpos coletivos grosseiro e sutil, com sua imensa sabedoria para regular a vida mesma.<\/p>\n<p><em>Serge: \u00c9 um caso mais complexo do que o primeiro.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim. Vamos agora olhar esse caso em termos de alguns princ\u00edpios b\u00e1sicos que mencionamos antes, Serge.<\/p>\n<p><em>Serge: O.K.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Na primeira sess\u00e3o, expandimos a constri\u00e7\u00e3o no abd\u00f4men com o autotoque, e movimentamos as pernas, p\u00e9s e tornozelos em especial, para que se conectassem com o que estava acontecendo no abd\u00f4men, e ent\u00e3o apoiamos o que estava acontecendo nos dois lugares com consci\u00eancia. Est\u00e1vamos ajudando a aumentar a autorregula\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas nas tr\u00eas camadas do corpo f\u00edsico: m\u00fasculo, \u00f3rg\u00e3os e sistema nervoso. Tamb\u00e9m est\u00e1vamos ajudando a experi\u00eancia dif\u00edcil no abd\u00f4men a ser gerada, se espalhar, e ser contida em uma \u00e1rea maior da fisiologia do que antes, tornando-a mais toler\u00e1vel, como seria esperado da evid\u00eancia dispon\u00edvel de pesquisas sobre a fisiologia das emo\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m est\u00e1vamos ajudando a abrir as zonas no corpo f\u00edsico que, de acordo com a Terapia da Polaridade, podem inibir o fluxo de energias do corpo sutil atrav\u00e9s do chakras para o corpo f\u00edsico. A parte inferior das pernas, abaixo do joelho at\u00e9 os tornozelos, pode inibir o fluxo da energia do chakra card\u00edaco, que tem rela\u00e7\u00e3o com sentimentos em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo e aos outros. A \u00e1rea do tornozelo at\u00e9 os p\u00e9s pode inibir o fluxo da energia do segundo chakra, que torna mais poss\u00edvel o rejuvenescimento e a criatividade, bem como o acesso a sentimentos inconscientes e suas origens. De certa forma, isso pode explicar em parte o profundo n\u00edvel de terror que veio \u00e0 tona na segunda sess\u00e3o, ap\u00f3s uma semana de exerc\u00edcios para manter a \u00e1rea do tornozelo e p\u00e9s aberta.<\/p>\n<p>Na segunda sess\u00e3o, ajudamos a expandir as \u00e1reas dos bra\u00e7os, pesco\u00e7o e cabe\u00e7a com movimentos, e a \u00e1rea do peito com autotoque, e apoiamos o terror e outras sensa\u00e7\u00f5es como formigamento nessas \u00e1reas. Est\u00e1vamos, novamente, ajudando o corpo f\u00edsico a aumentar sua habilidade de autorregula\u00e7\u00e3o, aumentando os fluxos dos sistemas cardiovascular e nervoso dentro e atrav\u00e9s das tr\u00eas camadas do corpo f\u00edsico, como sugerido por conhecimentos sobre a fisiologia da autorregula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m est\u00e1vamos ajudando a criar maior espa\u00e7o na fisiologia para gerar, conter e tolerar experi\u00eancias dif\u00edceis de terror, estresse e ansiedade, como sugerido por conhecimentos sobre a fisiologia das emo\u00e7\u00f5es. Maior abertura da \u00e1rea do peito por meio do autotoque e consci\u00eancia e movimentos dos bra\u00e7os, principalmente dos ombros, expandiu uma \u00e1rea que \u00e9 cr\u00edtica para o fluxo da energia do cora\u00e7\u00e3o, bem como do segundo chakra e do chakra sacro, dois chakras mais conectados com o aprofundamento em sentimentos conscientes e inconscientes, que nesse caso eram terror, estresse e ansiedade. O movimento dos bra\u00e7os, uma \u00e1rea cr\u00edtica para o fluxo de energia do chakra lar\u00edngeo para dentro do corpo na Terapia da Polaridade, poderia ter ajudado a aumentar o fluxo de energia do chakra card\u00edaco. O maior fluxo do elemento \u00e9ter associado ao chakra card\u00edaco, pode criar mais espa\u00e7o na fisiologia em geral, e para todos os sentimentos em particular, tornando poss\u00edvel que os sentimentos envolvidos na sess\u00e3o fluam com mais facilidade. O movimento da \u00e1rea do pesco\u00e7o, uma zona importante para o chakra raiz, que governa quest\u00f5es existenciais como o medo de morrer, pode ter possibilitado que o afeto nuclear do terror diante da morte, que gerava seu sintoma, a se tornar mais consciente. O movimento do pesco\u00e7o, tamb\u00e9m pode ter ajudado-a a conectar o sistema afetivo facial ao sistema afetivo visceral, de acordo com o conhecimento de uma teoria psicanal\u00edtica mais antiga sobre o afeto.<\/p>\n<p>Um aspecto importante da segunda sess\u00e3o foi o desenvolvimento da capacidade dela de vivenciar n\u00edveis elevados de ativa\u00e7\u00e3o e terror, sem que isso resultasse em um ataque de p\u00e2nico, ou em mais fechamento dos corpos f\u00edsico e sutil. Na teoria de depend\u00eancia de estado, um sintoma formado em determinados estados de intensidade, tem que ser renegociado em n\u00edveis aproximados de intensidade para a resolu\u00e7\u00e3o do sintoma. Isso pode explicar a habilidade dela de n\u00e3o ter outro ataque de p\u00e2nico ap\u00f3s esse sess\u00e3o, e ela conseguir voltar quando esse come\u00e7ava, sem um ataque de p\u00e2nico completo. Quando os corpos f\u00edsico e sutil n\u00e3o est\u00e3o mais fechados como resultado de uma experi\u00eancia insuport\u00e1vel, est\u00e3o mais abertos a se relacionarem e se beneficiarem de corpos coletivos grosseiros e sutis em torno de n\u00f3s, e dos quais somos parte, de acordo com a psicologia oriental. A capacidade aumentada dela para ter rela\u00e7\u00f5es mais funcionais no trabalho, em casa e na vida pessoal, de se engajar numa institui\u00e7\u00e3o de ensino superior com maior funcionalidade, e a for\u00e7a vital que jorrava atrav\u00e9s dela, e que a deixava perplexa, todos falam de uma melhora na habilidade de seus corpos individuais grosseiro e sutil se conectarem com, e se beneficiarem, dos corpos coletivos grosseiros e sutis que t\u00eam maior sabedoria do que os corpos grosseiro e sutil individuais. Poder\u00edamos dizer que ela estava fazendo Reiki em si mesma, quando conseguia conectar seu corpo sutil individual ao corpo sutil coletivo da for\u00e7a vital universal de imensa intelig\u00eancia. As mudan\u00e7as not\u00e1veis observadas nela n\u00e3o podem ser explicadas de outra forma. Para terminarmos, \u00e9 importante observar que tenho certeza que o trabalho psicol\u00f3gico que ela havia feito nas duas an\u00e1lises anteriores teve muita rela\u00e7\u00e3o com sua recupera\u00e7\u00e3o not\u00e1vel. Mas eles, em si mesmas, n\u00e3o resolveram os sintomas. Isso aponta a efici\u00eancia que poderia ser trazida aos tratamentos psicanal\u00edticos, se eles integrassem os corpos individuais grosseiro e sutil em seu trabalho.<\/p>\n<p><em>Serge: Certo.<\/em><\/p>\n<p>Raja: A maioria das abordagens terap\u00eauticas orientadas ao corpo caem em um padr\u00e3o que chamo de terapia acima do diafragma. As experi\u00eancias, na medida em que emergem na \u00e1rea do peito, s\u00e3o imediatamente abordadas cognitivamente para serem compreendidas. N\u00e3o h\u00e1 nada errado com isso em si, pois entender \u00e9 uma parte t\u00e3o importante da cura, quando sentir profundamente. No entanto, quando o entendimento domina o processo, a capacidade para a experi\u00eancia \u00e9 diminu\u00edda. A experi\u00eancia continua a ser dif\u00edcil e, de algum modo, dif\u00edcil de ser deixada para tr\u00e1s. Associa\u00e7\u00f5es e significados crescem. E, logo, logo, estamos em um filme de Woody Allen. Falta a tais processos a compreens\u00e3o de que, quanto mais intensa uma experi\u00eancia no corpo f\u00edsico, mais o corpo precisa ser envolvido na gera\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o dessa experi\u00eancia. E \u00e9 mais prov\u00e1vel que a compreens\u00e3o que vem de uma experi\u00eancia sentida profundamente seja relevante para a situa\u00e7\u00e3o. E com a fisiologia estando menos desregulada durante uma experi\u00eancia dif\u00edcil, e mais da fisiologia contendo a experi\u00eancia, torna-se poss\u00edvel toler\u00e1-la melhor, enquanto a examinamos para obter algum insight ou para alguma a\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n<p>Quando abordamos isso do ponto de vista do corpo sutil, a maioria dos chakras que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com processos profundamente existenciais e inconscientes est\u00e3o abaixo do diafragma. E a maioria das zonas importantes que governam o fluxo de energias dos chakras lar\u00edngeo e card\u00edaco est\u00e3o abaixo do diafragma. Ent\u00e3o, os processos acima do diafragma tendem a ter maior probabilidade de permanecerem superficiais e incompletos, de n\u00e3o se aprofundarem, de girarem em ciclos de associa\u00e7\u00f5es e significados relacionados \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica espec\u00edfica usada nesse contexto cl\u00ednico. N\u00e3o que esses processos n\u00e3o possam trazer mudan\u00e7as. Trazem. Se assim n\u00e3o fosse, n\u00e3o existiriam h\u00e1 tanto tempo. Mas isso tamb\u00e9m traz a probabilidade de cr\u00edticas como a de Hillman, que uma vez perguntou o que t\u00ednhamos para mostrar depois de cem anos de psicoterapia. Serge, pense nas possibilidades se todas essas abordagens come\u00e7assem a incorporar em suas pr\u00e1ticas os diferentes corpos que constituem o ser humano. E elas nem precisam mudar a orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica com a qual trabalham para fazer isso. Nem \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil fazer isso, como pode ser visto dos exemplos discutidos acima.<\/p>\n<p><em>Serge: H\u00e1 uma profundidade com a qual voc\u00ea est\u00e1 falando sobre essas coisas. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma praticidade com a qual voc\u00ea est\u00e1 abordando as coisas. Por exemplo, no caso que voc\u00ea acabou de mencionar da mulher da Holanda, as seguintes coisas me chamaram a aten\u00e7\u00e3o. Quando confrontados com o medo, n\u00f3s, seres humanos, todos temos a tend\u00eancia de tensionar, de nos fecharmos. \u00c9, de certa forma, uma rea\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m uma tend\u00eancia comum para evitar aquela experi\u00eancia. Mas voc\u00ea mostrou a ela uma forma simples de, na realidade, se abrir, para que haja fluxo de tal modo que ela possa sentir o medo e n\u00e3o ser paralisados por ele.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Voc\u00ea colocou o dedo em algo muito importante, Serge. Nossa tend\u00eancia natural \u00e9 evitar uma emo\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel, baseado no fato de que s\u00e3o criadas pela desregula\u00e7\u00e3o de nossa fisiologia de sobreviv\u00eancia, em maior ou menor grau. Partes do c\u00e9rebro que s\u00e3o mais interessadas na sobreviv\u00eancia e homeostase n\u00e3o gostam dessas coisas, e tendem a resistir a elas, mesmo fechando sua fisiologia em maior ou menor grau. Tamb\u00e9m podemos desenvolver camadas de resist\u00eancia psicol\u00f3gica a experi\u00eancias desagrad\u00e1veis, que ent\u00e3o aparecem como padr\u00f5es de fechamento nos corpos f\u00edsico e sutil, com os consequentes sintomas. Podemos fazer muito trabalho com os corpos individuais grosseiro e sutil, com sua conex\u00e3o com os corpos coletivos grosseiro e sutil, e por sua vez, com sua conex\u00e3o com o corpo absoluto de pura consci\u00eancia. Tudo isso n\u00e3o ter\u00e1 utilidade, ser\u00e1 apenas um ritual ou regime vazio, se as pessoas n\u00e3o conseguirem tolerar as experi\u00eancias psicol\u00f3gicas que v\u00eam com isso, compreend\u00ea-las, pensar e agir a partir delas de forma a refletir a corporifica\u00e7\u00e3o de diferentes energias de diferentes corpos, que acontecem temporariamente, quando trabalhamos com esses corpos. \u00c9 por isso que a capacidade de tolerar opostos est\u00e1 no cerne do modelo de individua\u00e7\u00e3o da psicologia junguiana, e do modelo de ilumina\u00e7\u00e3o da Advaita Vedanta, que oferece maior possibilidade para o desenvolvimento da psique humana. Por falar nisso, a capacidade de tolerar opostos n\u00e3o se refere apenas \u00e0 experi\u00eancia passiva de sentir e tolerar estados emocionais. Tamb\u00e9m se refere \u00e0 capacidade de conseguir tolerar ter cogni\u00e7\u00f5es opostas, e fazer coisas opostas nesse mundo, ou pelo menos ser capaz de tolerar imaginar ter cogni\u00e7\u00f5es opostas e a\u00e7\u00f5es opostas no mundo.<\/p>\n<p>Essa sabedoria sempre esteve presente na psican\u00e1lise no conceito de toler\u00e2ncia ao afeto. O psicanalista intersubjetivo Rober Stolorow colocou isso muito sucintamente, quando uma vez me disse que a \u00fanica coisa que podemos dar a nossos cliente \u00e9 a toler\u00e2ncia ao afeto. Infelizmente todo o campo da psicologia est\u00e1 se afastando disso. A \u00eanfase mudou na dire\u00e7\u00e3o de se livrar dos afetos, descarregar energias, medicar para elimin\u00e1-los, etc. Isso pode muito bem ser fundado no fracasso do campo em chegar ao fundo das coisas. E isso, por sua vez, pode ter rela\u00e7\u00e3o com a forma n\u00e3o-corporificada com que s\u00e3o feitas muitas psicoterapias. Mas h\u00e1 outra forma, o processamento corporificado. Como sabemos, n\u00e3o podemos evitar que as pessoas sofram traumas e outras experi\u00eancias dif\u00edceis. E n\u00e3o podemos simplesmente consert\u00e1-las ou faz\u00ea-las irem embora. Temos que vivenciar essas coisas, mas de forma s\u00e1bia, usando todo o organismo para gerar, sentir, regular e tolerar uma experi\u00eancia avassaladora. As pessoas ent\u00e3o aprendem que podem passar por elas, e intuitivamente n\u00e3o t\u00eam medo da vida e das experi\u00eancias dif\u00edceis que ela sempre traz, mais cedo ou mais tarde, se acreditamos em Buddha.<\/p>\n<p>Acredito muito em educar as pessoas, sobre como seus corpos f\u00edsico e sutil est\u00e3o relacionados \u00e0s suas experi\u00eancias psicol\u00f3gicas, e como se relacionar com eles, e trabalhar com eles durante grandes experi\u00eancias de vida positivas e negativas, da maneira mais simples poss\u00edvel. Eu tenho dois PhDs. Meu primeiro \u00e9 em neg\u00f3cios, com especializa\u00e7\u00e3o em marketing. Meu segundo PhD \u00e9 em psicologia cl\u00ednica. Eu sei que, a n\u00e3o ser que um sistema ou abordagem seja simples de compreender, simples de usar e simples de integrar em outros sistemas j\u00e1 existentes, ele n\u00e3o ser\u00e1 amplamente adotado, nem ir\u00e1 muito longe. Os sistemas de psicoterapia corporal mais antigos provam isso. Para os psicoterapeutas n\u00e3o orientados ao corpo, esses sistemas demandavam que eles aprendessem toda uma nova orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, como estruturas de car\u00e1ter, e adotassem interven\u00e7\u00f5es como tirar a blusa e se dobrar para tr\u00e1s sobre um bloco de madeira. Essas interven\u00e7\u00f5es pareciam t\u00e3o extravagantes e t\u00e3o arriscadas, que essas abordagens nunca al\u00e7aram voo, ficando restritas a pequenos grupos de profissionai,s que se reuniam de tempo em tempos em seus pr\u00f3prios congressos lamentando o quanto os modelos convencionais continuavam a ser n\u00e3o-corporificados. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a falta de corporifica\u00e7\u00e3o na psicologia convencional tinha m\u00faltiplas ra\u00edzes hist\u00f3ricas, mas o fato de as psicoterapias orientadas ao corpo n\u00e3o oferecerem abordagens acess\u00edveis para a corporifica\u00e7\u00e3o tem sido uma raz\u00e3o importante, na minha vis\u00e3o. Se virmos o quanto abordagens de medita\u00e7\u00e3o baseada em mindfulness e em sentir o corpo t\u00eam tido sucesso na psicologia convencional ultimamente, isso se torna claro. Se os psicanalistas, quando est\u00e3o trabalhando com experi\u00eancias dif\u00edceis com os sentimentos, em qualquer estrutura te\u00f3rica na qual trabalham, compreenderem como essas experi\u00eancias dif\u00edceis surgem nos corpos f\u00edsico e sutil, como esses corpos podem se fechar se o suporte interno ou externo para tal experi\u00eancia forem insuficientes, e como expandir os corpos f\u00edsico e sutil para gerar, acessar e tolerar essas experi\u00eancias com instrumentos simples como consci\u00eancia, autotoque, e movimento, seria mais f\u00e1cil eles trabalharem com a corporifica\u00e7\u00e3o, sem ter que abandonar sua orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica prim\u00e1ria, e sem fazer nada fora do comum.<\/p>\n<p><em>Serge: Mhm, Mhm. Ent\u00e3o esse \u00e9 o elo perdido que pode tornar isso poss\u00edvel.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim.<\/p>\n<p>Raja: E realmente n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de fazer. Essa tem sido minha experi\u00eancia tratando pessoas e treinando pessoas em 16 pa\u00edses nos \u00faltimos 20 anos. Essa tamb\u00e9m tem sido minha experi\u00eancia entre os sobreviventes do tsunami na \u00cdndia, e os sobreviventes da guerra civil em Sri Lanka. Isso me d\u00e1 confian\u00e7a de que isso seja vi\u00e1vel. E em termos de incluir o corpo sutil, \u00e9 muito empolgante, porque a f\u00edsica qu\u00e2ntica est\u00e1 mostrando o caminho, mesmo que n\u00e3o seja totalmente aceito na psicologia, mesmo como um n\u00edvel mais profundo do corpo f\u00edsico. N\u00e3o sabemos exatamente como estudar at\u00e9 mesmo o n\u00edvel qu\u00e2ntico do corpo f\u00edsico na psicologia, porque podemos observar, em exames cerebrais, o comportamento de neur\u00f4nios que definitivamente n\u00e3o est\u00e3o no n\u00edvel subat\u00f4mico. Na pesquisa em f\u00edsica qu\u00e2ntica em <a href=\"https:\/\/home.cern\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CERN<\/a> na Europa, faz-se com que part\u00edculas at\u00f4micas e subat\u00f4micas colidam umas contra as outras, ou contra barreiras, em velocidades pr\u00f3ximas \u00e0 da luz em t\u00faneis subterr\u00e2neos chamados supercolisores supercondutores, para se estudar part\u00edculas subat\u00f4micas menores, que aparecem por microssegundos com pequenos sinais sonoros nas telas de computadores! Assim, n\u00e3o est\u00e1 claro como poder\u00edamos estabelecer a exist\u00eancia de tais coisas em nossos corpos f\u00edsicos, e como nossos corpos sutis, exceto por meio da infer\u00eancia a partir dessas pesquisas. No entanto, o que sabemos da psicologia oriental \u00e9 que a consci\u00eancia, mesmo que pare\u00e7a limitada, e apare\u00e7a como uma fun\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro ou do corpo sutil para os que aceitam isso como realidade, \u00e9 de ordem superior a qualquer n\u00edvel de nossa exist\u00eancia. Enquanto a psicologia continuar a acreditar que nossa consci\u00eancia \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro f\u00edsico no n\u00edvel do corpo grosseiro, h\u00e1 um problema. Felizmente, a psicologia tamb\u00e9m tem a tradi\u00e7\u00e3o de valorizar e trabalhar com a experi\u00eancia subjetiva independentemente de sua origem. E ter modelos da psique simplesmente como modelos da psique, e avaliar abordagens psicol\u00f3gicas mais com base no resultado de suas interven\u00e7\u00f5es do que na verdade, ou falta de verdade, do modelo subjacente \u00e0s interven\u00e7\u00f5es. Contanto que saibamos como trazer \u00e0 consci\u00eancia ou trabalhar com os fen\u00f4menos que s\u00e3o ditos surgirem de um n\u00edvel qu\u00e2ntico do corpo &#8211; de novo, isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil quanto se acredita &#8211; e tenhamos resultados para mostrar, realmente n\u00e3o importa se estamos trabalhando com o n\u00edvel qu\u00e2ntico do corpo f\u00edsico, ou um corpo de outro n\u00edvel qu\u00e2ntico chamado corpo sutil, ou apenas fen\u00f4menos do corpo f\u00edsico mal compreendidos e mal nomeados, como diriam alguns. O que estou dizendo aos que realmente n\u00e3o acreditam \u00e9 que, se fen\u00f4menos pouco comuns podem ser trazidos \u00e0 consci\u00eancia das pessoas, e trabalhar com eles realmente ajuda, n\u00e3o importa se o modelo subjacente \u00e9 um mito ou uma met\u00e1fora. Desde que ajude, acho que dever\u00edamos considerar seriamente adot\u00e1-las, principalmente quando obtemos \u00f3timos resultados.<\/p>\n<p><em>Serge: Certo, certo. Ent\u00e3o, de alguma forma, h\u00e1 tamb\u00e9m uma similaridade com a f\u00edsica qu\u00e2ntica. Pode ser visto como algo que \u00e9 incrivelmente te\u00f3rico e abstrato. Mas ent\u00e3o, de tempos em tempos, h\u00e1 alguns experimentos que realmente mostram que h\u00e1 uma correspond\u00eancia entre a teoria e o que acontece. E, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma prova de que o modelo te\u00f3rico seja a verdade absoluta, mas certamente uma indica\u00e7\u00e3o de que faz sentido usar a narrativa apresentada pela teoria para trabalhar de determinada forma.<\/em><\/p>\n<p>Raja: Sim, com uma ressalva, Serge. Pode haver outros modelos te\u00f3ricos que n\u00e3o foram imaginados, que poderiam predizer o mesmo comportamento entre as part\u00edculas subat\u00f4micas observ\u00e1veis! Mais um pensamento sobre a origem da consci\u00eancia. Mesmo que a consci\u00eancia seja uma fun\u00e7\u00e3o do corpo grosseiro, a hip\u00f3tese mantida pela ci\u00eancia agora, sem qualquer prova, \u00e9 de que ela poderia ser uma fun\u00e7\u00e3o do n\u00edvel qu\u00e2ntico do corpo grosseiro. A psicologia oriental diz que ela n\u00e3o \u00e9 nem uma fun\u00e7\u00e3o do corpo grosseiro nem sutil, individual nem coletivo. Est\u00e1 al\u00e9m disso tudo, mas ao mesmo tempo \u00e9 o fundamento imut\u00e1vel de tudo. Fascinante, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><em>Serge: Bem, Raja, foi um prazer. Obrigado. H\u00e1 algo mais que gostaria de acrescentar para concluir, ou esse lhe parece um bom lugar para encerrar?<\/em><\/p>\n<p>Raja: Eu acho que esse \u00e9 um \u00f3timo lugar para finalizar. Fomos t\u00e3o longe quanto poss\u00edvel! Eu realmente gostei da entrevista, e realmente lhe agrade\u00e7o. E espero, que no futuro, a psicologia e psicoterapia sejam mais corporificados, independentemente da orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. E espero que eu possa dar minha contribui\u00e7\u00e3o para esse processo de corporifica\u00e7\u00e3o, e consequente aumento na efetividade cl\u00ednica no tratamento de problemas comuns, para os quais pessoas comuns buscam ajuda na terapia. Meu objetivo \u00e9 continuar a achar ou desenvolver formas mais simples de ajudar profissionais com diversas forma\u00e7\u00f5es a incorporar e corporificar nossos diferentes corpos em seu trabalho. Acho que isso certamente vai me manter ocupado pelo resto da minha vida!<\/p>\n<p><em>Essa conversa foi transcrita por Claire Cornelio e traduzido por Priscila Leiko Fuzikawa.<\/em><\/p>\n<p>Esse material \u00e9 protegido por copyright. Pode ser livremente copiado, desde que seu uso seja somente para fins educacionais. A fonte (SomaticPerspectives.com) dever ser adequadamente citada, quando ele for usado em qualquer formato. \u00a9 2014. Todos os direitos reservados. <a href=\"https:\/\/somaticperspectives.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SomaticPerspectives.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raja Selvam, PhD, \u00e9 treinador s\u00eanior dos programas de treinamento profissional em Experi\u00eancia Som\u00e1tica (SE\u2122) de Peter Levine, e o criador da Psicoterapia Som\u00e1tica Integrada (ISP\u2122), uma abordagem avan\u00e7ada para integrar corpo, energia e consci\u00eancia em qualquer processo psicol\u00f3gico, elaborado para profissionais experientes. 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