{"id":2324,"date":"2018-05-15T09:26:46","date_gmt":"2018-05-15T09:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/?p=2324"},"modified":"2018-05-16T21:40:27","modified_gmt":"2018-05-16T21:40:27","slug":"como-melhorar-os-resultados-em-todas-as-terapias-por-meio-da-corporificacao-das-emocoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/pt-br\/como-melhorar-os-resultados-em-todas-as-terapias-por-meio-da-corporificacao-das-emocoes\/","title":{"rendered":"Como melhorar os resultados em todas as terapias por meio da corporifica\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<p><b>Resumo:<\/b> A corporifica\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es, aqui definida como a capacidade de expandir experi\u00eancias emocionais para a maior parte da fisiologia do c\u00e9rebro e corpo poss\u00edvel, e de toler\u00e1-las por longos per\u00edodos de tempo, tem evid\u00eancia te\u00f3rica e emp\u00edrica de sua efetividade na melhora dos resultados n\u00e3o s\u00f3 emocionais, mas tamb\u00e9m f\u00edsicos, energ\u00e9ticos, cognitivos, comportamentais, relacionais e espirituais em todas as modalidades terap\u00eauticas e espirituais.<\/p>\n<p>Esse artigo apresenta o fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica para a corporifica\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es baseada no conhecimento sobre fisiologia das emo\u00e7\u00f5es, fisiologia da regula\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, e sobre a rela\u00e7\u00e3o entre as duas. Apresenta, tamb\u00e9m, evid\u00eancia emp\u00edrica para os m\u00faltiplos benef\u00edcios da corporifica\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o, e como se pode corporificar emo\u00e7\u00f5es sem que uma sobrecarga emocional leve \u00e0 patologia, por um lado, e sem que a regula\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica destrua emo\u00e7\u00f5es emergentes, por outro.<\/p>\n<p>Esse artigo aborda, primeiro, a import\u00e2ncia das emo\u00e7\u00f5es, as diferentes maneiras como elas s\u00e3o atualmente trabalhadas nas diversas abordagens terap\u00eauticas, por que emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis s\u00e3o fisiologicamente dif\u00edceis de serem vivenciadas e toleradas, por que \u00e9 dif\u00edcil corporificar emo\u00e7\u00f5es sem trabalhar com a fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, principalmente com a fisiologia do corpo, e, ent\u00e3o, discute como o corpo corporifica emo\u00e7\u00f5es de forma mais completa, precisa e com menos dificuldade para melhorar diversos resultados em todas as modalidades terap\u00eauticas.<\/p>\n<h3>Sobre a import\u00e2ncia da emo\u00e7\u00e3o na terapia<\/h3>\n<p>As emo\u00e7\u00f5es est\u00e3o no n\u00facleo do trabalho na maioria das abordagens terap\u00eauticas. H\u00e1, quase sempre, uma dificuldade emocional, algo que \u00e9 intoler\u00e1vel ou n\u00e3o mais toler\u00e1vel, por tr\u00e1s dos sintomas que motivam as pessoas a procurarem terapia. Portanto, n\u00e3o \u00e9 surpreendente que a maioria das abordagens terap\u00eauticas trabalhe com o pressuposto de que o processamento de experi\u00eancias emocionais dif\u00edceis, ou de fatores que as impulsionam, \u00e9 necess\u00e1rio para a resolu\u00e7\u00e3o dos sintomas existentes. H\u00e1 cada vez mais evid\u00eancia de que as emo\u00e7\u00f5es, sua expans\u00e3o na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, e a capacidade de toler\u00e1-las leva \u00e0 melhora na cogni\u00e7\u00e3o (Niedenthal, 2007; Colombetti &amp; Thompson, 2008), comportamento (Dam\u00e1sio, 1994), resili\u00eancia (Stolorow, Brandchaft, and Atwood, 1995), individua\u00e7\u00e3o (Jung, 1960), resultados na vida pessoal e profissional (Khan, 2013; Goodman, Joshi, Nasim, &amp; Tyler, 2015), e crescimento espiritual (Dayananda, 2002). As modalidades terap\u00eauticas diferem, no entanto, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00eanfase que d\u00e3o \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias que usam para trabalhar com elas.<\/p>\n<h3>Estrat\u00e9gias comuns para trabalhar com emo\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>O que se segue \u00e9 uma tentativa, para fins anal\u00edticos, de separar e descrever as v\u00e1rias estrat\u00e9gias que s\u00e3o frequentemente utilizadas para trabalhar com emo\u00e7\u00f5es nas diversas modalidades terap\u00eauticas. As diferentes estrat\u00e9gias abordam diferentes aspectos do trabalho com emo\u00e7\u00f5es, e s\u00e3o frequentemente utilizadas de forma combinada. Por favor, observe que as estrat\u00e9gias n\u00e3o s\u00e3o mutuamente excludentes, pois observa-se que t\u00eam componentes em comum. Por exemplo, o uso da estrat\u00e9gia de tornar o cliente consciente de uma emo\u00e7\u00e3o para que ele a vivencie mais conscientemente, est\u00e1 impl\u00edcita na estrat\u00e9gia de ajudar o cliente a desenvolver uma maior capacidade de tolerar a emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Frequentemente, quando uma emo\u00e7\u00e3o continua a ser um problema, ela precisa ser trabalhada de mais de uma maneira para a resolu\u00e7\u00e3o da dificuldade presente. Pode ser necess\u00e1rio, por exemplo, fazer com que o cliente n\u00e3o apenas vivencie a emo\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a expresse. Assim tamb\u00e9m, a forma com a qual se trabalha com uma emo\u00e7\u00e3o em um cliente \u00e9, frequentemente, determinada pelos d\u00e9ficits desenvolvimentais que o cliente apresenta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 emo\u00e7\u00e3o. Por exemplo, alguns clientes podem necessitar de mais compreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas emo\u00e7\u00f5es, do que vivenci\u00e1-las ou express\u00e1-las. A estrat\u00e9gia escolhida pode tamb\u00e9m ser determinada por como a emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 envolvida na dificuldade do cliente. Por exemplo, se uma emo\u00e7\u00e3o for um est\u00edmulo condicionado em um processo de adic\u00e7\u00e3o, faria sentido conter o comportamento adictivo (a resposta condicionada) para evitar que ele reforce o est\u00edmulo condicionado: a emo\u00e7\u00e3o. Em vez disso, se a intoler\u00e2ncia \u00e0 emo\u00e7\u00e3o for vista como a causa do comportamento adictivo, faria mais sentido criar maior capacidade de tolerar a emo\u00e7\u00e3o, de modo que a pessoa n\u00e3o tenha que se defender contra ela engajando em um comportamento adictivo defensivo, como comer excessivamente. Como os processos adictivos t\u00eam sido vistos como um problema de condicionamento, ou um problema de toler\u00e2ncia de afeto, ou ambos, por diferentes abordagens de terapia, faz sentido que haja diferentes estrat\u00e9gias para se trabalhar com a emo\u00e7\u00e3o de modo a abarcar as diferentes possibilidades. Por todas as raz\u00f5es descritas acima, as abordagens terap\u00eauticas geralmente empregam v\u00e1rias estrat\u00e9gias para trabalhar com emo\u00e7\u00f5es, mesmo que frequentemente difiram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00eanfase que colocam sobre uma estrat\u00e9gia em rela\u00e7\u00e3o a outra. Por exemplo, algumas colocam \u00eanfase em compreender as emo\u00e7\u00f5es, algumas na experi\u00eancia, e outras em sua express\u00e3o. Segue uma descri\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias mais comuns usadas no trabalho terap\u00eautico com as emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As emo\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes, s\u00e3o resolvidas apenas por meio do aumento da consci\u00eancia de que est\u00e3o presentes, ou potencialmente presentes, ajudando os clientes a gerarem-nas quando n\u00e3o est\u00e3o presentes, e fazer com que os clientes simplesmente as vivenciem. Oferecer aos clientes a educa\u00e7\u00e3o, valida\u00e7\u00e3o e apoio necess\u00e1rios faz isso. Se as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o estiverem presentes, \u00e9, frequentemente, porque a hist\u00f3ria do clientes n\u00e3o propiciou o desenvolvimentos delas. \u00c0s vezes, s\u00e3o necess\u00e1rios tempo e esfor\u00e7o consider\u00e1veis, tanto por parte do terapeuta, quanto do cliente, para desenvolver a capacidade para experi\u00eancias emocionais no cliente. Este \u00e9, frequentemente, o n\u00facleo do trabalho em muitas abordagens psicoterap\u00eauticas. Algumas abordagens regridem seus clientes mais que outras para acessar e trabalhar com emo\u00e7\u00f5es. Abordagens orientadas ao corpo trabalham com as defesas corporais contra as emo\u00e7\u00f5es para conseguir acess\u00e1-las.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1795 aligncenter\" src=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-therapy-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-therapy-2.jpg 750w, https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-therapy-2-300x150.jpg 300w\" alt=\"embodiment of emotions in therapy through ISP training\" width=\"750\" height=\"375\" \/><\/p>\n<p>Emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o, \u00e0s vezes, resolvidas apenas por meio da compreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a elas: que emo\u00e7\u00f5es est\u00e3o presentes, e a que contextos pertencem. Perceber que h\u00e1 um anseio n\u00e3o satisfeito, e que ele pertence ao passado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e, e n\u00e3o ao presente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esposa, pode determinar se o casamento caminha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cura e crescimento ou ao div\u00f3rcio e reencena\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o modificadas por meio da mudan\u00e7a de cogni\u00e7\u00f5es na forma de cren\u00e7as e significados que as propulsionam. Uma cr\u00edtica que se tem feito a muitas abordagens psicoterap\u00eauticas convencionais \u00e9 que elas tendem a enfatizar a compreens\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es, mais do que a viv\u00eancia e aprofundamento das mesmas.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o curadas por meio da exposi\u00e7\u00e3o repetida dos clientes a situa\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias, ou gatilhos que as estimulam, como na terapia de exposi\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o cognitivo comportamental. As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m resolvidas por meio da conten\u00e7\u00e3o de comportamentos defensivos com os quais est\u00e3o associadas, de modo que n\u00e3o se atue compulsivamente, como em processos de adic\u00e7\u00e3o como o comer em excesso. Isso faz sentido onde as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o est\u00edmulos condicionados desencadeando respostas patol\u00f3gicas condicionadas sujeitas aos princ\u00edpios do condicionamento cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o, \u00e0s vezes, curadas por meio da express\u00e3o adequada das mesmas na terapia ou na vida. A express\u00e3o, em algumas abordagens, \u00e9 mais cat\u00e1rtica do que em outras. As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o, \u00e0s vezes, resolvidas ao se agir adequadamente em fun\u00e7\u00e3o delas, como quando uma pessoa se engaja em um ato de repara\u00e7\u00e3o ao sentir culpa por algum erro, ou se retira de uma rela\u00e7\u00e3o emocionalmente danosa.<\/p>\n<p>Emo\u00e7\u00f5es e os sintomas que causam s\u00e3o, \u00e0s vezes, resolvidos ou gerenciados por meio da regula\u00e7\u00e3o da fisiologia do c\u00e9rebro ou do corpo. Isso \u00e9 feito por meio de medica\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o, nutri\u00e7\u00e3o, exerc\u00edcio, trabalho corporal, trabalho energ\u00e9tico, ou algum outra t\u00e9cnica, quando est\u00e1 claro ou se acredita que o problema emocional tem sua causa em d\u00e9ficits ou desregula\u00e7\u00e3o na fisiologia do c\u00e9rebro ou do corpo. Dado o n\u00edvel cada vez mais alto de desregula\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e estresse observados nos clientes hoje em dia, e o dom\u00ednio cada vez maior da abordagem psicofarmacol\u00f3gica da psiquiatria, que tende a diagnosticar e tratar a maioria dos problemas psicol\u00f3gicos, incluindo dist\u00farbios emocionais, com o pressuposto de que a causa \u00e9 a desregula\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, todo o campo da psicologia parece estar orientado, agora mais do que nunca, na dire\u00e7\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo como estrat\u00e9gia dominante para se lidar com perturba\u00e7\u00f5es emocionais e outras perturba\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas. E essa tend\u00eancia \u00e0 regula\u00e7\u00e3o da fisiologia como estrat\u00e9gia prim\u00e1ria para resolver problemas psicol\u00f3gicos parece ter aliciado at\u00e9 mesmo as abordagens psicol\u00f3gicas emergentes que incorporam mais o corpo ou a energia em seus trabalhos.<\/p>\n<p>Como todas as experi\u00eancias psicol\u00f3gicas t\u00eam a fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo como origem ou base, nenhuma experi\u00eancia psicol\u00f3gica coerente pode emergir quando essa fisiologia est\u00e1 extremamente desregulada. Assim sendo, faz sentido que a regula\u00e7\u00e3o da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, em uma situa\u00e7\u00e3o onde ela esteja muito desregulada, possa melhorar o trabalho terap\u00eautico com todos os aspectos da experi\u00eancia psicol\u00f3gica, como a cogni\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o e comportamento. No entanto a regula\u00e7\u00e3o excessiva da fisiologia do c\u00e9rebro e de corpo pode ser contraproducente no trabalho psicol\u00f3gico. Por favor, leia o artigo Como evitar destruir as emo\u00e7\u00f5es enquanto se rastreiam as sensa\u00e7\u00f5es corporais para compreender como isso pode acontecer.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do descrito acima, modalidades terap\u00eauticas podem tamb\u00e9m empregar a estrat\u00e9gia de se permanecer com uma emo\u00e7\u00e3o pelo tempo necess\u00e1rio para transform\u00e1-la, ou a estrat\u00e9gia de desenvolver maior capacidade para tolerar as emo\u00e7\u00f5es, principalmente as emo\u00e7\u00f5es negativas. Observe que o aumento da capacidade em rela\u00e7\u00e3o a uma emo\u00e7\u00e3o ajudaria a vivenciar essa emo\u00e7\u00e3o durante o tempo necess\u00e1rio para ela se transformar. E vivenciar uma emo\u00e7\u00e3o at\u00e9 que ela se transforme aumentaria a capacidade de tolerar a emo\u00e7\u00e3o envolvida. Por mais que essas duas estrat\u00e9gias sejam pr\u00f3ximas, n\u00e3o s\u00e3o exatamente a mesma, pois t\u00eam inten\u00e7\u00f5es distintas. Essas duas estrat\u00e9gias ser\u00e3o exploradas mais profundamente depois que discutirmos a rela\u00e7\u00e3o entre a capacidade de se tolerar uma emo\u00e7\u00e3o e a resili\u00eancia.<\/p>\n<h3>Emo\u00e7\u00f5es, a capacidade de toler\u00e1-las, e resili\u00eancia<\/h3>\n<p>No trabalho com emo\u00e7\u00f5es em dada situa\u00e7\u00e3o, a combina\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias acima \u00e9 normalmente empregada, j\u00e1 que as diferentes estrat\u00e9gias abordam diferentes aspectos do trabalho com emo\u00e7\u00f5es necess\u00e1rio para a resolu\u00e7\u00e3o das mesmas. No entanto, para trabalhar com sucesso com qualquer uma das estrat\u00e9gias acima, incluindo a estrat\u00e9gia simples de apenas tornar o cliente consciente de uma emo\u00e7\u00e3o que est\u00e1 presente, um indiv\u00edduo tem que ter alguma capacidade de vivenciar e tolerar a emo\u00e7\u00e3o envolvida. Por outro lado, o trabalho bem sucedido com qualquer aspecto do trabalho emocional, incluindo apenas conseguir que o cliente perceba e compreenda uma emo\u00e7\u00e3o presente, pode aumentar a capacidade de o cliente enfrentar e tolerar a emo\u00e7\u00e3o, at\u00e9 certo ponto, no futuro. No entanto, se a dificuldade com uma emo\u00e7\u00e3o for a falta de capacidade de toler\u00e1-la, como algumas modalidades acreditam que aconte\u00e7a mais frequentemente, deve-se desenvolver no cliente uma capacidade adequada de toler\u00e1-la no n\u00edvel de intensidade em que ela ocorre para que n\u00e3o se torne problema novamente. Somente ent\u00e3o pode-se ver um cliente como resiliente a uma experi\u00eancia emocional espec\u00edfica, com o luto. Aqui, o termo resili\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a uma emo\u00e7\u00e3o \u00e9 compreendido como a habilidade de n\u00e3o formar sintomas a partir da emo\u00e7\u00e3o no futuro, ou ter a habilidade de resolver, o quanto antes, qualquer sintoma que se forme a partir da emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1796 aligncenter\" src=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-happiness-3.jpg\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-happiness-3.jpg 750w, https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-happiness-3-300x150.jpg 300w\" alt=\"embodiment of emotions through ISP training\" width=\"750\" height=\"375\" \/><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia de se construir a capacidade de se tolerar experi\u00eancias emocionais dif\u00edceis, que \u00e9 um aspecto do trabalho com emo\u00e7\u00f5es e a \u00faltima estrat\u00e9gia descrita acima, \u00e9 enfatizada como extremamente importante, qui\u00e7\u00e1 o determinante mais importante, da sa\u00fade psicol\u00f3gica de um indiv\u00edduo na psican\u00e1lise (Stolorow, Branchaft e Atwood, 1995). A habilidade de se tolerar opostos na experi\u00eancia humana, principalmente na extremidade desagrad\u00e1vel do continuum, \u00e9 considerada como o determinante prim\u00e1rio do desenvolvimento psicol\u00f3gico de um indiv\u00edduo na psicologia anal\u00edtica de Jung (1960). A capacidade de se tolerar opostos na experi\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 considerada um dos mais importantes, se n\u00e3o o mais importante determinante de uma habilidade individual de crescimento espiritual (Dayananda, 2002). \u00c9 importante observar que independentemente da natureza da experi\u00eancia insuport\u00e1vel, pode ser uma cogni\u00e7\u00e3o ou comportamento, ela \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, insuport\u00e1vel por que a emo\u00e7\u00e3o associada a ela \u00e9 insuport\u00e1vel. E, como h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica adequada de que informa\u00e7\u00e3o emocional melhora resultados cognitivos, comportamentais e pessoais, bem como profissionais, quando as emo\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais incorporadas (maior quantidade de uma emo\u00e7\u00e3o \u00e9 gerada em uma \u00e1rea maior da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, e h\u00e1 maior capacidade de toler\u00e1-la, e, portanto, de ficar com ela por mais tempo), o c\u00e9rebro tem mais informa\u00e7\u00e3o sob a forma de emo\u00e7\u00e3o, e mais tempo para process\u00e1-la para melhorar todos os aspectos da vida e experi\u00eancia do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Apesar de todas as formas ou estrat\u00e9gias de se trabalhar com emo\u00e7\u00f5es discutidas acima poderem aumentar a capacidade de se tolerar emo\u00e7\u00f5es em maior ou menor grau, a estrat\u00e9gia de se simplesmente estar com uma emo\u00e7\u00e3o at\u00e9 que ela se transforme, e a estrat\u00e9gia de construir uma capacidade maior de se tolerar a emo\u00e7\u00e3o, est\u00e3o mais alinhadas com o objetivo de se desenvolver maior toler\u00e2ncia aos afetos, ou maior capacidade para se tolerar opostos na experi\u00eancia humana. Vamos olhar essas duas estrat\u00e9gias mais de perto, as dificuldades de as implementar, as raz\u00f5es por tr\u00e1s dessas dificuldades, e que informa\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gias e m\u00e9todos adicionais podemos acrescentar ao trabalho atual sendo feito com emo\u00e7\u00f5es nas v\u00e1rias modalidades terap\u00eauticas, de modo que maior capacidade de se tolerar maior quantidade de uma emo\u00e7\u00e3o por mais tempo possa ser alcan\u00e7ada mais efetivamente e eficientemente com menos resist\u00eancia e dificuldade.<\/p>\n<h3>A estrat\u00e9gia de simplesmente estar com uma emo\u00e7\u00e3o at\u00e9 que ela se transforme<\/h3>\n<p>Emo\u00e7\u00f5es ou os sintomas que elas causam s\u00e3o, \u00e0s vezes, resolvidas por meio do simples ato de estar com as emo\u00e7\u00f5es envolvidas pelo tempo que durarem. Isso \u00e9, \u00e0s vezes, descrito como aceitar ou acolher seu estado emocional, e estar com ele at\u00e9 que se transforme em outra coisa. Todas as estrat\u00e9gias descritas, essa junto com a estrat\u00e9gia mais proativa de desenvolver maior capacidade de tolerar experi\u00eancias emocionais, parecem ter o maior potencial para desenvolver a capacidade duradoura para se tolerar experi\u00eancias emocionais dif\u00edceis. No entanto, a estrat\u00e9gia de apenas estar com a emo\u00e7\u00e3o, em si mesma, n\u00e3o oferece nenhuma outra orienta\u00e7\u00e3o sobre como manejar a intensidade das experi\u00eancias emocionais que podem estar envolvidas, incluindo experi\u00eancias de descompensa\u00e7\u00e3o, que terapeutas temem por uma boa raz\u00e3o. Tamb\u00e9m, por raz\u00f5es que ficar\u00e3o mais claras posteriormente, apenas estar com uma emo\u00e7\u00e3o onde ela emerge \u2013 luto no peito, por exemplo \u2013 pode n\u00e3o s\u00f3 tornar a experi\u00eancia do luto mais intoler\u00e1vel, mas tamb\u00e9m desregular a fisiologia nesse local, criando s\u00e9rios sintomas psicofisiol\u00f3gicos como a asma. Assim, \u00e9 compreens\u00edvel que esta n\u00e3o seja a estrat\u00e9gia mais prontamente empregada em muitos contextos terap\u00eauticos sem recorrer \u00e0 express\u00e3o ou ao dar sentido para obter al\u00edvio. E quando \u00e9 empregada, a falta de diretrizes em rela\u00e7\u00e3o a como estar com a emo\u00e7\u00e3o de forma segura e produtiva, sem sobrecarga ou descompensa\u00e7\u00e3o, pode limitar a efetividade dessa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1799 aligncenter\" src=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-grief-4.jpg\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-grief-4.jpg 750w, https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-grief-4-300x150.jpg 300w\" alt=\"embodiment of emotions through ISP Training grief\" width=\"750\" height=\"375\" \/><\/p>\n<h3>A estrat\u00e9gia de aumentar proativamente a capacidade para tolerar as emo\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>Qualquer trabalho com emo\u00e7\u00f5es, seja com o envolvimento do corpo ou n\u00e3o, pode potencialmente aumentar a capacidade de se vivenciar e tolerar emo\u00e7\u00f5es. No entanto, poucas abordagens almejam proativamente o aumento da capacidade, no cliente, de se tolerar experi\u00eancias emocionais, principalmente as emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, como estrat\u00e9gia cl\u00ednica expl\u00edcita para ajudar os clientes. Isso faz sentido dada a resist\u00eancia psicol\u00f3gica inata, na popula\u00e7\u00e3o em geral, \u00e0s emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, e dado que poucas abordagens psicoterap\u00eauticas atuais enfatizam, em seu treinamento, a necessidade de se construir maior capacidade para se tolerar experi\u00eancias emocionais.<\/p>\n<p>Quando experi\u00eancias emocionais tornam-se extremamente dif\u00edceis de tolerar, s\u00e3o, em \u00faltima inst\u00e2ncia, experi\u00eancias que s\u00e3o intoler\u00e1veis na fisiologia do c\u00e9rebro ou do corpo, principalmente neste \u00faltimo. No entanto, a maioria das abordagens negligencia o corpo e seu papel nas experi\u00eancias emocionais, limitando, assim, sua efetividade no trabalho com as emo\u00e7\u00f5es, bem como no desenvolvimento de maior capacidade de toler\u00e1-las.<\/p>\n<p>Abordagens que trabalham com o corpo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s experi\u00eancias emocionais est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o melhor para desenvolver maior capacidade para tolerar emo\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do continente maior do corpo. No entanto, abordagens que trabalham com o corpo tendem a diminuir a ativa\u00e7\u00e3o do corpo para diminuir a ativa\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es ou trabalhar com defesas no corpo contra emo\u00e7\u00f5es para acess\u00e1-las. Quando elas trabalham com emo\u00e7\u00f5es, tendem a enfatizar a express\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es de forma cat\u00e1rtica ou de outra forma, e n\u00e3o sua viv\u00eancia. Mesmo quando s\u00e3o orientadas na dire\u00e7\u00e3o de se desenvolver maior capacidade para se tolerar emo\u00e7\u00f5es sem externaliz\u00e1-las atrav\u00e9s da express\u00e3o, a falta de compreens\u00e3o adequada da fisiologia das emo\u00e7\u00f5es, da fisiologia da regula\u00e7\u00e3o, e da rela\u00e7\u00e3o entre as duas, limita sua habilidade de desenvolver maior capacidade para tolerar as emo\u00e7\u00f5es por raz\u00f5es que ficar\u00e3o claras posteriormente.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia proativa de desenvolver a capacidade de se tolerar emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis pode envolver maiores riscos de sobrecarga emocional e descompesa\u00e7\u00e3o do que estrat\u00e9gias mais passivas de s\u00f3 ficar com uma emo\u00e7\u00e3o at\u00e9 que ela se transforme, se h\u00e1 compreens\u00e3o inadequada de como regular o corpo durante experi\u00eancias emocionais para minimizar esses riscos. Por causa disso, e pela falta de compreens\u00e3o de todos os benef\u00edcios de se desenvolver maior capacidade de se tolerar emo\u00e7\u00f5es por mais tempo, atrav\u00e9s do continente maior do corpo, faz sentido que os terapeutas tendam a usar ainda menos a estrat\u00e9gia proativa de desenvolver maior capacidade para tolerar uma emo\u00e7\u00e3o do que a estrat\u00e9gia mais passiva de se ficar com uma emo\u00e7\u00e3o at\u00e9 que ela se transforme.<\/p>\n<p>Vamos agora \u00e0 discuss\u00e3o de conceitos e achados importantes da literatura sobre emo\u00e7\u00f5es, sua fisiologia, e sua corporifica\u00e7\u00e3o, e da literatura sobre a fisiologia da regula\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, para compreender porque corporificar emo\u00e7\u00f5es, expandi-las o m\u00e1ximo poss\u00edvel na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, e desenvolver a capacidade de toler\u00e1-las por um per\u00edodo de tempo mais longo, faz sentido. Para come\u00e7ar, vamos olhar mais de perto o conceito da capacidade de tolerar uma emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1797 aligncenter\" src=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-development-5.jpg\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-development-5.jpg 750w, https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-development-5-300x150.jpg 300w\" alt=\"embodiment of emotions in child development through ISP training\" width=\"750\" height=\"375\" \/><\/p>\n<h3>O que \u00e9 a capacidade de tolerar uma emo\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p>Corporificar uma emo\u00e7\u00e3o \u00e9 ser capaz de expandir a emo\u00e7\u00e3o o m\u00e1ximo poss\u00edvel na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, e ser capaz de toler\u00e1-la por um per\u00edodo maior de tempo. A capacidade de tolerar uma emo\u00e7\u00e3o \u00e9 muito variada em uma popula\u00e7\u00e3o. A capacidade de tolerar uma emo\u00e7\u00e3o pode ser pensada em termos do n\u00edvel de emo\u00e7\u00e3o, e de quanto tempo a pessoa consegue ficar com essa emo\u00e7\u00e3o. Qu\u00e3o elevado precisa ser o n\u00edvel da emo\u00e7\u00e3o e quanto tempo uma pessoa precisa ficar com a emo\u00e7\u00e3o para a resolu\u00e7\u00e3o do sintoma atual ou para resili\u00eancia a longo prazo variam de acordo com cada indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Tanto o n\u00edvel da emo\u00e7\u00e3o, quanto o tempo que se fica em contato com uma emo\u00e7\u00e3o, podem ser gerenciados para diminuir o risco de inunda\u00e7\u00e3o emocional e descompensa\u00e7\u00e3o por meio de estrat\u00e9gias psicol\u00f3gicas e estrat\u00e9gias fisiol\u00f3gicas, que equilibrem o aprofundamento da emo\u00e7\u00e3o e a regula\u00e7\u00e3o da fisiologia; estrat\u00e9gias que sejam baseadas na compreens\u00e3o da fisiologia da emo\u00e7\u00e3o, da fisiologia da regula\u00e7\u00e3o e da rela\u00e7\u00e3o entre as duas. Essas estrat\u00e9gias tamb\u00e9m podem ser usadas para corporificar uma emo\u00e7\u00e3o superficialmente ou profundamente na fisiologia, dependendo da capacidade do indiv\u00edduo. Como os sintomas se formam em diferentes limiares, em termos do n\u00edvel da emo\u00e7\u00e3o e sua dura\u00e7\u00e3o, em diferentes indiv\u00edduos, alguns indiv\u00edduos requerem n\u00edveis mais baixos de emo\u00e7\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o do que outros para a resolu\u00e7\u00e3o de sintomas.<\/p>\n<p>Por exemplo, com uma cliente, tudo o que tive que fazer foi conseguir que ela tolerasse um n\u00edvel baixo da emo\u00e7\u00e3o de tristeza na \u00e1rea superior de seu peito, e depois na \u00e1rea do rosto, por um curto per\u00edodo de tempo, para que seus sintomas de asma melhorassem significativamente. Em outro cliente com sintomas de ataques de p\u00e2nico, foi necess\u00e1rio trabalhar com um n\u00edvel mais elevado de medo expandido para quase todas as partes da fisiologia, por muito mais tempo, mais do que quarenta minutos, para que o sintoma mudasse. Em outro cliente com sintoma de enxaqueca, uma pessoa que havia quase morrido eletrocutada quando crian\u00e7a, foi necess\u00e1rio um n\u00edvel elevado de terror e um longo per\u00edodo de tempo, al\u00e9m de inibi-la de descarregar seu medo atrav\u00e9s de l\u00e1grimas, para eliminar o sintoma totalmente. Esses exemplos ilustram que a capacidade necess\u00e1ria que precisa ser constru\u00edda para tolerar uma experi\u00eancia, varia de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo em termos de tempo, n\u00edvel de emo\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o da expans\u00e3o no corpo.<\/p>\n<h3>Por que as experi\u00eancias emocionais desagrad\u00e1veis s\u00e3o dif\u00edceis de serem aceitas e toleradas?<\/h3>\n<p>A capacidade de tolerar uma emo\u00e7\u00e3o, principalmente as dif\u00edceis, n\u00e3o \u00e9 adquirida facilmente. Isso porque a experi\u00eancia de uma emo\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel \u00e9 gerada, na fisiologia do c\u00e9rebro ou do corpo, primeiro por meio de estresse e desregula\u00e7\u00e3o (Sapolsky, 1994; Pert, 1999, Damasio, 2003). Como nossos circuitos cerebrais inconsciente, involunt\u00e1rios, de preserva\u00e7\u00e3o da vida s\u00e3o constantemente orientados em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do estresse e desregula\u00e7\u00e3o na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, h\u00e1 uma resist\u00eancia \u00e0s emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, inconsciente e involunt\u00e1ria, que \u00e9 inata em todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 o que Freud (Laplance &amp; Pontalis, 1998) escreveu, quando apontou que em todo organismo saud\u00e1vel, h\u00e1 uma avers\u00e3o \u00e0 dor, e uma orienta\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao prazer (os dois aspecto do princ\u00edpio do prazer). Al\u00e9m dessa resist\u00eancia inata universal, os indiv\u00edduos podem ter adquirido in\u00fameras exemplos de suas fam\u00edlias, cultura, e educa\u00e7\u00e3o que formam a base da resist\u00eancia psicol\u00f3gica do indiv\u00edduo \u00e0 gera\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia de uma emo\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel, e do desenvolvimento de uma capacidade adequada de sustent\u00e1-la por um per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1800 aligncenter\" src=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-dysregulation-6.jpg\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-dysregulation-6.jpg 750w, https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/embodiment-of-emotions-ISP-Training-dysregulation-6-300x150.jpg 300w\" alt=\"embodiment of emotions through ISP Training dysregulation\" width=\"750\" height=\"375\" \/><\/p>\n<p>Experi\u00eancias emocionais agrad\u00e1veis, por outro lado, n\u00e3o envolvem a resist\u00eancia inata que as emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis encontram, porque sua gera\u00e7\u00e3o envolve a diminui\u00e7\u00e3o do estresse e da desregula\u00e7\u00e3o na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo. Qualquer resist\u00eancia a experi\u00eancias emocionais agrad\u00e1veis \u00e9, frequentemente, de natureza psicol\u00f3gica. Um exemplo dessa resist\u00eancia pode advir de um ambiente familiar que, por alguma raz\u00e3o, n\u00e3o permite a express\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es positivas como a felicidade.<\/p>\n<h3>Como as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o geradas na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo? E como nos defendemos delas?<\/h3>\n<p>J\u00e1 vimos o fato importante que as emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis s\u00e3o geradas na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo pela desregula\u00e7\u00e3o e estresse dessa fisiologia em maior ou menor grau, e que as experi\u00eancias emocionais positivas s\u00e3o geradas pela regula\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o do estresse. Especificamente, h\u00e1 in\u00fameras formas de envolvimento da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo na gera\u00e7\u00e3o e na defesa contra emo\u00e7\u00f5es. A <a href=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/what-is-integral-somatic-psychology\/\">Psicologia Som\u00e1tica Integrada<\/a> (ISP\u2122) identificou sete mecanismos gerais por meio dos quais a fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo pode estar envolvida na gera\u00e7\u00e3o e defesa contra emo\u00e7\u00f5es que representam todos os achados mais importantes de universidades e sistemas de psicoterapia corporal at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Um dos achados mais importantes sobre a fisiologia das emo\u00e7\u00f5es que discutiremos posteriormente \u00e9 que as emo\u00e7\u00f5es, principalmente as que persistem ou s\u00e3o devastadoras, acabam por envolver toda a fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo. Emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, por serem geradas por meio do estresse \u00e0 fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, s\u00e3o inerentemente dolorosas. Os indiv\u00edduos variam em sua capacidade de toler\u00e1-las, e frequentemente empregam uma gama de defesas psicol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas para gerenci\u00e1-las ou evitar ger\u00e1-las ou vivenci\u00e1-las. Defesas psicol\u00f3gicas tentam minimizar a experi\u00eancia e uma emo\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, diminuindo o envolvimento da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo no maior n\u00famero de locais poss\u00edvel, e, \u00e0s vezes, conseguem elimin\u00e1-la por completo. Uma defesa comum \u00e9 a constri\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos respirat\u00f3rios para reduzir a intensidade da experi\u00eancia emocional.<\/p>\n<p>Defesas fisiol\u00f3gicas contra as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o isentas de consequ\u00eancias. Elas comprometem o funcionamento da fisiologia, n\u00e3o apenas na \u00e1rea que est\u00e1 explicitamente envolvida. Por exemplo, a constri\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos respirat\u00f3rios pode comprometer o funcionamento de todo o organismo, pois ele perturba a fun\u00e7\u00e3o biologicamente vital da respira\u00e7\u00e3o. Pessoas que usam a constri\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos respirat\u00f3rios como defesa contra as emo\u00e7\u00f5es podem acabar n\u00e3o apenas com sintomas respirat\u00f3rios, como dificuldade de respirar, mas tamb\u00e9m sintomas em outros \u00f3rg\u00e3os vitais como o cora\u00e7\u00e3o (bradicardia ou frequ\u00eancia card\u00edaca lenta), ou sintomas em qualquer outra parte da fisiologia. Por exemplo, sintomas nas extremidades, como fraqueza generalizada nas pernas e bra\u00e7os, ou m\u00e3os e p\u00e9s frios, podem advir do comprometimento da fun\u00e7\u00e3o cardiovascular pelos dist\u00farbios no sistema respirat\u00f3rio ocasionados pela defesa contra uma emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Como defesas fisiol\u00f3gicas contra uma emo\u00e7\u00e3o em algumas \u00e1reas da fisiologia podem acabar fazendo com que a experi\u00eancia dessa emo\u00e7\u00e3o seja ainda mais dif\u00edcil de ser tolerada nas \u00e1reas onde s\u00e3o geradas<\/h3>\n<p>A &#8216;desativa\u00e7\u00e3o&#8217; da fisiologia no grau necess\u00e1rio para eliminar a experi\u00eancia de uma emo\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, quando n\u00e3o \u00e9 inteiramente bem sucedida, pode paradoxalmente tornar a experi\u00eancia da emo\u00e7\u00e3o ainda mais insuport\u00e1vel em \u00e1reas onde elas n\u00e3o podem ser completamente eliminadas. Isso acontece porque qualquer disfun\u00e7\u00e3o introduzida na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, por meio de defesas fisiol\u00f3gicas contra a emo\u00e7\u00e3o em qualquer \u00e1rea, tende a diminuir o funcionamento geral do todo o organismo.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma interdepend\u00eancia intricada entre diferentes partes da fisiologia na manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e bem estar globais do organismo. O fluxo desimpedido do sistema nervoso e do sangue entre as v\u00e1rias partes da fisiologia s\u00e3o essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o do funcionamento global \u00f3timo do organismo. Desativar partes da fisiologia, comprometendo os fluxos cr\u00edticos do sistema nervoso e sangue entre os constituintes da fisiologia, reduz a sa\u00fade e funcionamento globais de todo o organismo.<\/p>\n<p>Qualquer redu\u00e7\u00e3o no funcionamento global do organismo implica no aumento do n\u00edvel basal de estresse e desregula\u00e7\u00e3o por todo o organismo. E isso faz a experi\u00eancia de uma emo\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel, que por defini\u00e7\u00e3o \u00e9 um estado de estresse e desregula\u00e7\u00e3o, ainda mais intoler\u00e1vel na \u00e1rea limitada da fisiologia onde ela \u00e9 gerada, porque a fisiologia global j\u00e1 est\u00e1 em um n\u00edvel basal mais elevado de estresse e desregula\u00e7\u00e3o devido \u00e0 defesa em outras \u00e1reas. Gerar um emo\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel em algumas \u00e1reas, enquanto outras \u00e1reas da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo est\u00e3o se defendendo contra ela, \u00e9 como colocar carga extra sobre uma pessoa que j\u00e1 est\u00e1 tendo dificuldade com a atual carga que est\u00e1 carregando. Em geral, quanto maior o n\u00edvel de estresse e desregula\u00e7\u00e3o envolvido na experi\u00eancia de tal emo\u00e7\u00e3o, mais intrinsecamente intoler\u00e1vel ela se torna. Nesse caso, o estresse e a desregula\u00e7\u00e3o envolvidos na gera\u00e7\u00e3o de uma emo\u00e7\u00e3o em uma \u00e1rea \u00e9 acrescentada ao estresse e desregula\u00e7\u00e3o globais que aquela \u00e1rea j\u00e1 est\u00e1 vivenciando devido \u00e0 desativa\u00e7\u00e3o de outras partes interdependentes da fisiologia para se defender contra a emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais uma raz\u00e3o pela qual a gera\u00e7\u00e3o de uma emo\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel em uma \u00e1rea limitada do corpo \u00e9 mais intoler\u00e1vel do que se fosse gerada mais amplamente. J\u00e1 vimos como o estresse e desregula\u00e7\u00e3o globais em uma \u00e1rea na qual a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 gerada a partir da desativa\u00e7\u00e3o de outras \u00e1reas da fisiologia pode tornar a experi\u00eancia ainda mais intoler\u00e1vel, e aumentar a resist\u00eancia intr\u00ednseca \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea. Isso frequentemente leva \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o de defesas tamb\u00e9m na \u00e1rea limitada onde a emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo gerada para reduzir o sofrimento, o que pode aumentar ainda mais o estresse e a desregula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 na \u00e1rea, mas tamb\u00e9m em toda a fisiologia interdependente. Isso oferece uma explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica fisiol\u00f3gica para uma afirma\u00e7\u00e3o frequentemente ouvida no processamento de emo\u00e7\u00f5es, de que metade da dificuldade ou sofrimento em uma experi\u00eancia emocional \u00e9 devida \u00e0 resist\u00eancia a ela.<\/p>\n<h3>Por que as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes? E por que n\u00e3o podem ser completamente desativadas?<\/h3>\n<p>Por que n\u00e3o desativar as emo\u00e7\u00f5es completamente? A sabedoria convencional tem sido que as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o irracionais, opostas \u00e0 raz\u00e3o, e portanto sem nenhuma fun\u00e7\u00e3o (Dam\u00e1sio, 1994). Uma raz\u00e3o pela qual elas n\u00e3o podem ser completamente eliminadas pode ser porque o ambiente est\u00e1 constantemente determinando sua gera\u00e7\u00e3o, e portanto n\u00e3o podem ser completamente evitadas. Outra raz\u00e3o pode ser que a consequ\u00eancia fisiol\u00f3gica de se eliminar uma emo\u00e7\u00e3o desativando a fisiologia pode ser bem grave, causando um sintoma grave como a fadiga cr\u00f4nica. Frequentemente essa \u00e9 a raz\u00e3o &#8211; a necessidade de evitar um sintomas f\u00edsico mais grave e debilitante &#8211; pela qual parece que a combina\u00e7\u00e3o de defesas psicol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas, e n\u00e3o apenas defesas fisiol\u00f3gicas, s\u00e3o usada para gerenciar ou eliminar uma experi\u00eancia emocional dif\u00edcil.<\/p>\n<h3>Mais raz\u00f5es fundamentais pelas quais emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser completamente desativadas<\/h3>\n<p>Como j\u00e1 vimos, h\u00e1 uma raz\u00e3o mais importante pela qual as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser completamente desativadas por longo prazo: porque comprometeria as fun\u00e7\u00f5es cognitiva, afetiva e comportamental do indiv\u00edduo com consequ\u00eancias f\u00edsicas, energ\u00e9ticas, relacionais e espirituais tanto na vida pessoal, quanto na vida profissional. J\u00e1 vimos, e vale a pena repetir porque isso n\u00e3o \u00e9 bem conhecido, que pesquisas existentes sobre emo\u00e7\u00e3o e comportamento, emo\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o e sua corporifica\u00e7\u00e3o, e emo\u00e7\u00e3o e resultados na vida pessoal e emocional, apresentam evid\u00eancia cient\u00edfica adequada de que a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica para o funcionamento \u00f3timo, n\u00e3o s\u00f3 no \u00e2mbito afetivo, mas tamb\u00e9m nos \u00e2mbitos cognitivo e comportamental, n\u00e3o s\u00f3 na vida pessoal, mas tamb\u00e9m na vida profissional. Isto \u00e9, a emo\u00e7\u00e3o, enquanto informa\u00e7\u00e3o, parece ser cr\u00edtica para o funcionamento \u00f3timo em todos os aspectos e \u00e1reas da vida de uma pessoa. Portanto, faz todo o sentido que elas n\u00e3o possam ser desativadas por longo prazo sem consequ\u00eancias s\u00e9rias. Emo\u00e7\u00f5es e sua corporifica\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia cl\u00ednica podem, portanto, ajudar n\u00e3o apenas na resolu\u00e7\u00e3o de problemas emocionais, mas tamb\u00e9m de problemas cognitivos e comportamentais, mesmo em modalidades terap\u00eauticas como terapias cognitivas ou comportamentais, que n\u00e3o focam explicitamente nas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Retorno \u00e0 discuss\u00e3o sobre achados importantes acerca da fisiologia das emo\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>O fato estranho sobre o campo da fisiologia das emo\u00e7\u00f5es \u00e9 que ainda h\u00e1 cientistas que acreditam que uma emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o corpo, e que o corpo est\u00e1 envolvido apenas na resposta a uma emo\u00e7\u00e3o depois que esta \u00e9 gerada exclusivamente no c\u00e9rebro, porque o papel e o comportamento de uma experi\u00eancia emocional no corpo n\u00e3o s\u00e3o amplamente conhecidos. Mesmo que fosse reconhecidamente dif\u00edcil separar, no corpo, as sensa\u00e7\u00f5es da emo\u00e7\u00e3o das sensa\u00e7\u00f5es que pertencem \u00e0 resposta emocional \u00e0 emo\u00e7\u00e3o, a afirmativa de que todas as sensa\u00e7\u00f5es pertencem apenas ao comportamento contradiz teoria e evid\u00eancias cumulativas, bem como experi\u00eancias comuns do dia-a-dia, acerca do papel do corpo em experi\u00eancias emocionais. Esses cientistas acreditam que a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 gerada apenas no c\u00e9rebro, e que o corpo nunca est\u00e1 envolvido na gera\u00e7\u00e3o de uma emo\u00e7\u00e3o, mas est\u00e1 apenas fazendo algo para lidar com a emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A separa\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de uma emo\u00e7\u00e3o, da experi\u00eancia de um comportamento \u00e9 filosoficamente dif\u00edcil de ser justificada. Sempre h\u00e1 uma emo\u00e7\u00e3o direcionando um comportamento, quando a defini\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00e3o \u00e9 expandida al\u00e9m das emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e secund\u00e1rias para incluir emo\u00e7\u00f5es sens\u00f3rio-motoras, tais como a sensa\u00e7\u00e3o de querer fazer algo ou n\u00e3o querer fazer algo levando alguns, informalmente, \u00e0 palavra &#8216;mo\u00e7\u00e3o&#8217; [no sentido de movimento] em &#8216;e-mo\u00e7\u00e3o&#8217; como evid\u00eancia de que os dois s\u00e3o insepar\u00e1veis. Mais formalmente, a inseparabilidade de emo\u00e7\u00e3o e comportamento \u00e9 admitida teoricamente na literatura pela aceita\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 sempre um componente emocional em todo comportamento. Acontece que, como Sapolsky (2017) aponta em seu livro mais recente, a separa\u00e7\u00e3o estrita entre cogni\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 cientificamente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Como o conhecimento acerca do papel do corpo na experi\u00eancia emocional n\u00e3o \u00e9 amplamente conhecido, e porque temos a inten\u00e7\u00e3o de usar esse conhecimento para ajudar a desenvolver maior capacidade para emo\u00e7\u00e3o por meio de maior continente do corpo, vamos novamente olhar para achados sobre a fisiologia das emo\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro e no corpo, desta vez de pesquisadores espec\u00edficos, para nos informarmos e informarmos a outras pessoas sobre a import\u00e2ncia do corpo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, para desenvolver m\u00e9todos para corporificar emo\u00e7\u00f5es, expandi-las no corpo, e desenvolver capacidade de toler\u00e1-las por um per\u00edodo maior de tempo, como uma estrat\u00e9gia nuclear para melhorar resultados emocionais, cognitivos e comportamentais em todas as modalidades terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>Dam\u00e1sio (2003), um neurologista especializado na fisiologia das emo\u00e7\u00f5es, apresenta evid\u00eancia de como processos emocionais s\u00e3o gerados na fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo, come\u00e7ando ao n\u00edvel de c\u00e9lulas individuais, em termos de experi\u00eancias b\u00e1sicas como atra\u00e7\u00e3o e avers\u00e3o. Pert (1999), uma cientista molecular que foi a primeira a localizar receptores de opi\u00f3ides no c\u00e9rebro, relata o achado de que uma experi\u00eancia emocional, independentemente de sua origem no c\u00e9rebro ou no corpo, acaba envolvendo toda a fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo em um per\u00edodo muito curto de tempo. Estudos emp\u00edricos recentes (Nummenma, L., Glerean, E., Hari, R., &amp; Hietanen, J. K., 2013 &amp; 2016), em diversas culturas como Finl\u00e2ndia, Su\u00e9cia e Taiwan, sobre a fisiologia das emo\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m sugerem o envolvimento de toda a fisiologia do corpo na experi\u00eancia de v\u00e1rias emo\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Os achados que toda a fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo est\u00e1 envolvida, ou pode estar envolvida, em uma experi\u00eancia emocional sugere que o ato defensivo de desativar a emo\u00e7\u00e3o em alguns locais pode ter consequ\u00eancias adversas para seu processamento por in\u00fameras raz\u00f5es. Uma, do ponto de vista da informa\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o na forma de emo\u00e7\u00e3o de diferentes partes da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo pode n\u00e3o estar completamente dispon\u00edvel para que ela seja processada adequadamente. Dois, do ponto de vista de fluxo, ela poderia obstruir o processamento da emo\u00e7\u00e3o bloqueando seu fluxo natural em toda a fisiologia do organismo. Tr\u00eas, do ponto de vista do est\u00edmulo, o impulso por tr\u00e1s de uma emo\u00e7\u00e3o, por estar constrita e concentrada em uma ou poucas \u00e1reas da fisiologia por defesas corporais, pode estimular excessivamente aquelas \u00e1reas limitadas, estressar e desregul\u00e1-las excessivamente, fazendo com que seja mais dif\u00edcil tolerar e processar a experi\u00eancia emocional. E quatro, como vimos anteriormente, o ato mesmo de desativar partes da fisiologia para lidar com uma emo\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel pode aumentar o n\u00edvel global de estresse e desregula\u00e7\u00e3o em todo o organismo, o que pode acrescentar dificuldade adicional \u00e0 gera\u00e7\u00e3o e processamento de uma experi\u00eancia emocional desagrad\u00e1vel em qualquer parte da fisiologia, quer esta parte esteja ou n\u00e3o sendo excessivamente estimulada pelo impulso por tr\u00e1s da emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os achados apresentados acima, que emo\u00e7\u00f5es podem potencialmente envolver toda a fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo; que defesas fisiol\u00f3gicas contra elas em alguns locais podem n\u00e3o apenas limitar mais a gera\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia completa de emo\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m fazer com que seja mais dif\u00edcil tolerar as emo\u00e7\u00f5es que s\u00e3o geradas em alguns poucos lugares; que emo\u00e7\u00f5es e sua corporifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes n\u00e3o s\u00f3 para resolver dificuldades emocionais, mas tamb\u00e9m cognitivas e comportamentais; e que a capacidade para emo\u00e7\u00f5es e para seu gerenciamento aumentam a probabilidade de sucesso em longo prazo, n\u00e3o apenas na vida pessoal, mas tamb\u00e9m profissional, constituem a base cient\u00edfica para o desenvolvimento de estrat\u00e9gias cl\u00ednicas para se trabalhar com emo\u00e7\u00f5es e corporific\u00e1-las para melhorar resultados emocionais, bem como cognitivos e comportamentais em todas as modalidades terap\u00eauticas.<\/p>\n<h3>Poss\u00edveis benef\u00edcios da estrat\u00e9gia cl\u00ednica de expandir a fisiologia para expandir a experi\u00eancia emocional em todo o continente maior do corpo<\/h3>\n<p>Para mim, os achados apresentados acima e suas implica\u00e7\u00f5es levaram ao insight importante de que a estrat\u00e9gias de se expandir a fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo para expandir a gera\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia de emo\u00e7\u00f5es em um terreno mais amplo da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo pode oferecer v\u00e1rios benef\u00edcios. Um, as emo\u00e7\u00f5es podem ser paradoxalmente vivenciadas como mais toler\u00e1veis e mais f\u00e1ceis de suportar, do que quando h\u00e1 defesas contra elas em muitos lugares e s\u00e3o geradas em apenas alguns lugares. Dois, porque est\u00e3o envolvidas em n\u00edveis mais baixos de estresse e desregula\u00e7\u00e3o do que quando s\u00e3o geradas em poucos lugares, a resist\u00eancia inata a elas \u00e9 provavelmente menor. Tr\u00eas, quando a resist\u00eancia inata \u00e0 gera\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia de emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis \u00e9 menor, \u00e9 prov\u00e1vel que qualquer resist\u00eancia \u00e0quelas emo\u00e7\u00f5es seja enfraquecida, fazendo com que seja mais f\u00e1cil trabalhar com elas para tir\u00e1-las do caminho. Quatro, porque as emo\u00e7\u00f5es expandidas s\u00e3o mais toler\u00e1veis, \u00e9 poss\u00edvel que as pessoas consigam estar com elas por mais tempo. Isso implica o desenvolvimento de maior capacidade para tolerar emo\u00e7\u00f5es, principalmente emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Essa capacidade \u00e9 essencial, em algum grau, para se contatar e trabalhar com emo\u00e7\u00f5es de qualquer forma, inclusive fazer com que uma pessoa consiga ger\u00e1-la. Cinco, a capacidade para tolerar experi\u00eancias emocionais dif\u00edceis tamb\u00e9m oferece ao indiv\u00edduo maior resili\u00eancia, a longo prazo, para lidar com aquelas experi\u00eancias emocionais, para que haja menor probabilidade de que ele se feche e forme sintomas a partir delas, e maior probabilidade de que se recupere quando isso acontecer. Seis, como eles s\u00e3o capazes de gerar, vivenciar e tolerar mais da emo\u00e7\u00e3o por mais tempo, mais informa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica na forma de emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para o c\u00e9rebro processar por mais tempo, aumentando a probabilidade de melhora nos resultados afetivos, cognitivos e comportamentais. Sete, como uma emo\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma for\u00e7a motriz em qualquer impulso comportamental, a disponibilidade de mais emo\u00e7\u00e3o por mais tempo aumentar\u00e1 a probabilidade de que o comportamento se manifeste. Al\u00e9m disso, \u00e9 prov\u00e1vel que a habilidade de se tolerar um emo\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s de um impulso comportamental por mais tempo diminua a probabilidade de se passar ao ato inadequadamente. Oito, a habilidade de tolerar emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e n\u00e3o passar ao ato inadequadamente, e a habilidade de estar com elas por mais tempo para examin\u00e1-las cognitivamente para conhecer suas origens pode aumentar muito resultados relacionais. Nove, a habilidade de se tolerar opostos foi identificada como extremamente importante para a individua\u00e7\u00e3o ou crescimento pessoal e diferencia\u00e7\u00e3o na psicologia junguiana. E dez, a habilidade de se tolerar opostos na experi\u00eancia emocional, principalmente experi\u00eancias desagrad\u00e1veis na vida, tem sido identificada por muitas abordagens como um atributo importante para o desenvolvimento espiritual.<\/p>\n<h3>A Psicologia Som\u00e1tica Integrada (ISP\u2122) e a estrat\u00e9gia da corporifica\u00e7\u00e3o emocional<\/h3>\n<p>A corporifica\u00e7\u00e3o emocional, a expans\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o para a maior extens\u00e3o da fisiologia poss\u00edvel, profundamente ou superficialmente dependendo da capacidade do cliente, e o desenvolvimento da capacidade de se tolerar a emo\u00e7\u00e3o por mais tempo \u00e9 uma estrat\u00e9gia cl\u00ednica nuclear na Psicologia Som\u00e1tica Integrada (ISP), uma abordagem que eu desenvolvi para aumentar os resultados em todas as modalidades terap\u00eauticas, e que agora \u00e9 ensinada em muitos de pa\u00edses em todo o mundo.<\/p>\n<p>Para se corporificar emo\u00e7\u00f5es de forma mais completa, na maior extens\u00e3o da fisiologia poss\u00edvel, a ISP trabalha com o conhecimento n\u00e3o t\u00e3o conhecido sobre a fisiologia das emo\u00e7\u00f5es e outras experi\u00eancias psicol\u00f3gicas de universidades e tradi\u00e7\u00f5es de psicoterapia corporais, conhecimento sobre como cada camada do corpo &#8211; m\u00fasculo, \u00f3rg\u00e3o e sistema nervoso &#8211; gera e se defende de emo\u00e7\u00f5es e de outras experi\u00eancia psicol\u00f3gicas. Ela usa instrumentos simples como o autotoque e movimento, no lugar de instrumentos mais complexos como o rastreamento de sensa\u00e7\u00f5es corporais, para facilitar o terapeuta de diversas orienta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas a ajudar seus clientes a corporificarem emo\u00e7\u00f5es mais facilmente. Ela tamb\u00e9m usa um modelo simples de autorregula\u00e7\u00e3o baseado no fluxo sangu\u00edneo e fluxo do sistema nervoso para regular o corpo durante o trabalho emocional, de modo que as emo\u00e7\u00f5es emergentes n\u00e3o sejam destru\u00eddas pelo excesso de regula\u00e7\u00e3o, e que o excesso de emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o resulte em inunda\u00e7\u00e3o, descompensa\u00e7\u00e3o ou transtornos psicofisiol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>A ISP tamb\u00e9m foca em todas as formas nas quais as emo\u00e7\u00f5es podem ser apoiadas, evocadas e sustentadas durante um per\u00edodo de tempo. Para se trabalhar com experi\u00eancias emocionais mais completamente, a ISP, al\u00e9m de trabalhar com emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e secund\u00e1rias, tamb\u00e9m trabalha com as emo\u00e7\u00f5es sens\u00f3rio-motoras, mais frequentes e mais f\u00e1ceis de rastrear, que s\u00e3o mais um fen\u00f4meno do corpo do que do c\u00e9rebro. Como a psicologia da energia oferece formas adicionais de melhorar a corporifica\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es muito al\u00e9m do trabalho com o corpo f\u00edsico discutido nesse artigo, a ISP usa o conhecimento da psicologia da energia oriental, sobre o papel do corpo energ\u00e9tico em gerar e defender de emo\u00e7\u00f5es para aprimorar ainda mais a corporifica\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es no corpo f\u00edsico. Achados importantes sobre o papel do corpo energ\u00e9tico na experi\u00eancia emocional s\u00e3o apresentados no ap\u00eandice abaixo. Os que se interessarem pelos detalhes e exemplos da abordagem ISP podem encontr\u00e1-los no artigo de f\u00e1cil leitura, em estilo de di\u00e1logo, intitulado <a href=\"https:\/\/integralsomaticpsychology.com\/pt-br\/o-que-e-psicologia-somatica-integrada-uma-conversa-com-raja-selvam\/\">O que \u00e9 Psicologia Som\u00e1tica Integrada? Uma conversa com Raja Selvam<\/a>.<\/p>\n<h3>Ap\u00eandice<\/h3>\n<p><b>O papel da energia na emo\u00e7\u00e3o e em sua corporifica\u00e7\u00e3o<\/b><br \/>\nA psicologia oriental tamb\u00e9m apoia os achados de que uma experi\u00eancia emocional \u00e9 potencialmente uma experi\u00eancia global, que pode envolver todo o organismo, e que a desativa\u00e7\u00e3o de partes da fisiologia do c\u00e9rebro e do corpo pode dificultar o processamento de uma emo\u00e7\u00e3o. Na psicologia da energia oriental, teoriza-se que tanto as experi\u00eancias f\u00edsicas de um indiv\u00edduo, quanto as psicol\u00f3gicas, surgem de uma intera\u00e7\u00e3o constante entre dois corpos, chamados de corpo individual grosseiro e sutil. O corpo grosseiro individual \u00e9 o que chamamos de corpo f\u00edsico. Esse, geralmente, \u00e9 o \u00fanico corpo que a ci\u00eancia e a psicologia convencionais reconhecem como subjacente a todas as nossas experi\u00eancias. Sabemos da f\u00edsica qu\u00e2ntica, que nosso corpo f\u00edsico existe no n\u00edvel qu\u00e2ntico, no n\u00edvel de part\u00edculas subat\u00f4micas como f\u00e9rmions e b\u00f3sons, bem como no n\u00edvel n\u00e3o-qu\u00e2ntico na forma de mat\u00e9ria agregada como c\u00e9lulas neuronais, musculares e \u00f3sseas, e os agregados formados por elas. Na terminologia da psicologia oriental, o n\u00edvel qu\u00e2ntico de nosso corpo f\u00edsico \u00e9 o n\u00edvel sutil do corpo grosseiro individual, e o n\u00edvel n\u00e3o-qu\u00e2ntico de nosso corpo f\u00edsico, o n\u00edvel grosseiro do corpo grosseiro individual.<\/p>\n<p>O corpo sutil individual da psicologia oriental \u00e9 o que abordagens de trabalho com energia frequentemente chamam de corpo energ\u00e9tico. Alinhada com a compreens\u00e3o de Einstein de que toda mat\u00e9ria \u00e9 energia, a psicologia oriental usa o termo corpo sutil individual no lugar de corpo energ\u00e9tico para se referir a um corpo adicional do indiv\u00edduo que existe apenas no n\u00edvel qu\u00e2ntico, levar \u00e0 compreens\u00e3o equivocada de que mat\u00e9ria e energia s\u00e3o duas coisas diferentes. De acordo com a psicologia oriental, o corpo sutil individual \u00e9 a fonte de todos os impulsos que se tornam nossas experi\u00eancias f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas. Esse corpo sutil de n\u00edvel qu\u00e2ntico interage com o n\u00edvel qu\u00e2ntico do corpo grosseiro para estimular as experi\u00eancias fisiol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas no corpo grosseiro individual ou corpo f\u00edsico.<\/p>\n<p>Se uma experi\u00eancia se torna dif\u00edcil de ter ou tolerar, formam-se defesas no corpo sutil, que por sua vez criam padr\u00f5es de defesa no corpo grosseiro para gerenciar a experi\u00eancia ou defender contra ela por completo. E como a desativa\u00e7\u00e3o de partes de nosso corpo grosseiro para se defender contra experi\u00eancias psicol\u00f3gicas compromete o funcionamento global da fisiologia, e aumenta o n\u00edvel de estresse e desregula\u00e7\u00e3o completamente, defesas do corpo sutil, que levam a defesas no corpo grosseiro, deixam o corpo grosseiro individual menos capaz fisiologicamente e psicologicamente.<\/p>\n<p>As defesas do corpo sutil tomam a forma de desequil\u00edbrios energ\u00e9ticos, onde a energia \u00e9 concentrada em alguns lugares e reduzida em outros (Sills, 1989). Lugares onde a energia \u00e9 concentrada, bem como onde falta energia, podem ter fun\u00e7\u00e3o defensiva, e as \u00e1reas correspondentes na fisiologia do corpo grosseiro geralmente mostram n\u00edveis mais elevados de disfun\u00e7\u00e3o, estresse e desregula\u00e7\u00e3o. Quando a concentra\u00e7\u00e3o de energia em uma \u00e1rea n\u00e3o \u00e9 com prop\u00f3sito de defesa, como quando a energia est\u00e1 sendo usada para segurar ou conter a realiza\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o em uma \u00e1rea, a estimula\u00e7\u00e3o elevada dessa \u00e1rea no corpo f\u00edsico pelo n\u00edvel elevado de energia ali presente pode levar ao funcionamento excessivo da \u00e1rea, bem como a n\u00edveis mais elevados de estresse e desregula\u00e7\u00e3o, e a uma potencial disfun\u00e7\u00e3o no local como consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Por exemplo, a energia do centro card\u00edaco pode ficar concentrada nas \u00e1reas do peito e da cabe\u00e7a e reduzida na \u00e1rea mais baixa das pernas no corpo sutil individual para gerenciar um sentimento devastador de luto. A concentra\u00e7\u00e3o da energia nas \u00e1reas da cabe\u00e7a e peito tender\u00e1 a estimular essas \u00e1reas excessivamente, fazendo a experi\u00eancia do luto ainda mais intoler\u00e1vel, mesmo que muita da concentra\u00e7\u00e3o da energia nas \u00e1reas do peito e da cabe\u00e7a pode tamb\u00e9m estar servindo ao prop\u00f3sito defensivo de inibir essas \u00e1reas para reduzir a experi\u00eancia de luto. A concentra\u00e7\u00e3o de energia na cabe\u00e7a tamb\u00e9m pode resultar em um padr\u00e3o de estimula\u00e7\u00e3o excessiva do c\u00e9rebro, que pode se manifestar como uma predomin\u00e2ncia da cogni\u00e7\u00e3o sobre a emo\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia de luto, ou mesmo a concentra\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de luto mais na \u00e1rea do c\u00e9rebro do que no resto do corpo. \u00c9 interessante que pesquisas emp\u00edricas (Marcher &amp; Fich, 2010) sobre as fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas de m\u00fasculos volunt\u00e1rios na Bodynamic Analysis, um sistema de psicoterapia corporal da Dinamarca, identificaram que m\u00fasculos da \u00e1rea mais baixa da perna tem rela\u00e7\u00e3o com o equil\u00edbrio entre cogni\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a uma experi\u00eancia!<\/p>\n<p>De acordo com a psicologia da energia oriental, o equil\u00edbrio homog\u00eaneo na distribui\u00e7\u00e3o de energia no corpo sutil \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para uma estimula\u00e7\u00e3o equilibrada de experi\u00eancias cognitivas, emocionais e comportamentais no corpo grosseiro. Ele tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio para assegurar que uma parte do corpo grosseiro n\u00e3o seja excessivamente estimulado, estressado ou desregulado por uma distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o homog\u00eanea de energia no corpo sutil. Quando a energia assim concentrada estimula excessivamente uma \u00e1rea do corpo grosseiro para gerar uma experi\u00eancia emocional desagrad\u00e1vel, aquela \u00e1rea estaria sujeita a maior n\u00edvel de emo\u00e7\u00e3o, e portanto de estresse e desregula\u00e7\u00e3o muito al\u00e9m do estresse e desregula\u00e7\u00e3o que estariam envolvidos na cria\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia emocional nessa \u00e1rea, se a energia estivesse mais equilibrada em sua estimula\u00e7\u00e3o do corpo grosseiro na gera\u00e7\u00e3o daquela experi\u00eancia emocional.<\/p>\n<p>A Psicologia Som\u00e1tica Integrada (ISP) usa mapas simples de diferentes tipos de energia do corpo sutil, n\u00e3o t\u00e3o facilmente observado e mensurado, sobreposto ao corpo f\u00edsico mais observ\u00e1vel e mensur\u00e1vel, e instrumentos simples como o movimento e o autotoque para trabalhar com defesas contra emo\u00e7\u00f5es e outra experi\u00eancias psicol\u00f3gicas no corpo sutil, para equilibrar as energia no corpo energ\u00e9tico, bem como o corpo f\u00edsico, para aumentar a corporifica\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es no corpo f\u00edsico do indiv\u00edduo, bem como para regul\u00e1-lo quando necess\u00e1rio. Como a capacidade de tolerar opostos na experi\u00eancia, principalmente as emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, \u00e9 importante para assegurar a sa\u00fade do corpo energ\u00e9tico e sua rela\u00e7\u00e3o com o corpo f\u00edsico, aqueles que trabalham no campo da psicologia da energia podem melhorar o trabalho que fazem corporificando, no n\u00edvel f\u00edsico, experi\u00eancias emocionais e outras experi\u00eancias psicol\u00f3gicas que estimulam em seus clientes no n\u00edvel energ\u00e9tico, por meio da Psicologia Som\u00e1tica Integrada (ISP).<\/p>\n<p><em>Este documento foi traduzido por Priscila Leiko Fuzikawa.<\/em><\/p>\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n<p>Colombetti, G. &amp; Thompson, E. (2008). The feeling body: Towards an enactive approach to emotion. In Overton W. F., Muller U., &amp; Newman J. L. (Eds.), <em>Developmental Perspectives on Embodiment and Consciousness<\/em> (pp. 45-68), New York: Lawrence Erlbaum Associates.<\/p>\n<p>Damasio, A. 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